O ponto de vista
Neste texto de estreia, compartilho um pouco do meu olhar pela vida. Enxergar o mundo transforma nossas perspectivas e a nós mesmos
Eduardo Olimpio|Do R7

Começar uma reflexão acerca da nossa vida política e comportamental numa idade que, de certo modo, separa o longo passado do futuro encurtado, é sempre uma viagem.
A ‘trajetória de vida’, ou a ‘viagem’ em si, é a experiência de cada um que compõe a sociedade desde quando nos damos conta de que a ela pertencemos e trocamos afetos e dores. Nesse caminho, ações como manter-se ou sair da rotina, da zona de conforto, ir em busca pelo desconhecido, por uma cultura diferente dentre outras ambições ou situações naturalmente humanas e pessoais, fazem parte desse acumulado.
Durante muitos anos assim agi, desembarcando em outras terras sem ter reserva de hotel ou mesmo conhecer a cultura a encontrar. Desprovido de internet ou celular, levando uma mochila com poucas roupas a sustentar minhas costas largas, adquiri um gosto e respeito pelo ‘outro’, por algo que não era igual ao já conhecido. E nesse comportamento não estavam presentes pressupostos que poderiam, em tese, atrapalhar o aprendizado. Na maioria das vezes, a viagem era feita de forma solitária e solidária, sem amarras, baseando-se quase que inteiramente no bom senso, na sorte, na carcaça calejada e num confiável canivete e par de botas.
Ok, não que absolutamente tudo tenha mudado ao me tornar pai, mas quando o filho bateu à porta ainda que somente com demandas de sobrevivência, alguma coisa alterou a rota e sedimentou uma nova rotina. Carregar uma mochila nas costas repleta de aventuras e impressões sem que nada o importunasse era uma sensação de liberdade que, de coração, ainda proponho que sintam por este mundão afora. E carregar um filho nas costas é, por si, uma viagem, uma epopeia também. Sem a aposentadoria da primeira modalidade, fazer juntar as cargas, misturá-las e colocá-las para peregrinar em quaisquer territórios ou sociedades é dos desafios a serem encarados a partir da vida paterna.
O antes e o depois desse ponto de observação, do meu comportamento e das centenas de pessoas com quem andei esbarrando ou apenas fitando seus gestos, palavras, culturas sociais e atitudes, me servirá, creio, de esteio para dignamente comentar, neste espaço, sobre como as pessoas agem em variados momentos e oportunidades na vida.
Sem pretender esgotar as análises, até porque o Brasil e o mundo estão em constante transformação com muros e governos caindo, doenças ressurgindo, empresas se reinventado, crianças sendo alvejadas, crimes filmados como se fossem cinema, ecossistemas atacados e no meio disso tudo o homem e seus comportamentos, não faltará chão para que eu me jogue nesta nova viagem ‘do olhar’ que inicio aqui com vocês.
*Aos que me deram a chance de somar esse outro ponto de vista, Viviane e André.












