EUA impõem restrições de visto a 27 latino-americanos em ação contra corrupção e narcotráfico
Medida alcança autoridades, ex-autoridades e outros indivíduos ligados a Bolívia, Colômbia, Equador e Peru; familiares imediatos também podem ser atingidos e não há brasileiros entre os alvos anunciados

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, restrições de visto contra 27 pessoas da América Latina, em uma nova medida que o governo americano relaciona ao combate à corrupção e ao narcotráfico.
Os alvos estão ligados a Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Entre eles estão autoridades, ex-autoridades, integrantes do Judiciário, procuradores, empresários e outros cidadãos. Dependendo do caso, familiares imediatos também podem ser alcançados pelas restrições. Não há brasileiros entre os 27 alvos anunciados.
Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, a política permite restringir vistos de estrangeiros e de seus familiares imediatos que, na avaliação do governo americano, prejudiquem governos democraticamente eleitos por meio de corrupção ou atividades relacionadas ao narcotráfico.
É importante fazer uma distinção: as acusações apresentadas são do governo dos Estados Unidos. A inclusão de uma pessoa nessa política migratória não deve ser confundida, por si só, com uma condenação criminal definitiva.
Bolívia concentra a maioria dos casos
A maior parte dos atingidos é da Bolívia.
Entre os nomes divulgados está o procurador-geral boliviano Roger Mariaca, eleito em 2024 para um mandato de seis anos. O governo americano o acusa de envolvimento em corrupção, recebimento de propina para facilitar atividades relacionadas ao narcotráfico e de ajudar criminosos violentos a evitar a Justiça.
No conjunto boliviano, há mais de 20 procuradores e juízes atingidos. Segundo as informações divulgadas, 12 pessoas que possuíam vistos americanos tiveram os documentos revogados, enquanto outras nove que não tinham visto passam a ser consideradas inelegíveis para recebê-lo caso façam uma solicitação.
Essa diferença é importante porque nem todas as 27 pessoas tinham necessariamente um visto válido que pudesse ser simplesmente “cancelado”. Por isso, o termo mais preciso para o conjunto da medida é restrição de visto.
Colômbia, Equador e Peru também têm alvos
Na Colômbia, dois indivíduos foram atingidos: um empresário e uma parlamentar. A CNN Brasil identificou a congressista como a senadora Martha Peralta Epieyú, do Movimento Alternativo Indígena e Social (MAIS).
No Equador, duas pessoas foram incluídas, mas seus nomes não foram divulgados pelo Departamento de Estado, segundo as informações disponíveis sobre a medida.
No Peru, a restrição alcançou Juan Carlos Núñez Matos, juiz da 1ª Vara Constitucional de Lima.
O que é o Escudo das Américas?
A medida ocorre no contexto do Shield of the Americas (Escudo das Américas), iniciativa regional liderada pelos Estados Unidos.
Em declaração conjunta divulgada em 22 de setembro, Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago afirmaram a intenção de fortalecer a cooperação hemisférica em três pilares: economia, segurança e coordenação multilateral.
O Departamento de Estado afirmou que as restrições anunciadas nesta segunda-feira fazem parte dos compromissos relacionados à defesa da governança democrática e ao combate à corrupção e ao narcotráfico.
O que significa ter o visto americano revogado?
Quando um visto americano é revogado, o documento deixa de poder ser utilizado para solicitar entrada nos Estados Unidos.
Isso não significa necessariamente que a pessoa tenha sido deportada ou expulsa do território americano. São situações juridicamente diferentes.
Também é importante lembrar que ter um visto válido não garante a entrada nos Estados Unidos. O documento permite que o estrangeiro viaje até um ponto de entrada e solicite admissão no país. A decisão final sobre a entrada é tomada pelas autoridades americanas responsáveis pelo controle migratório.
Já no caso de uma pessoa considerada inelegível para receber um visto, a consequência pode ocorrer antes mesmo da viagem: ela poderá não conseguir obter o documento necessário para viajar aos Estados Unidos na categoria correspondente.
E os brasileiros?
Até a publicação desta matéria, nenhum brasileiro aparece entre os 27 indivíduos atingidos pela medida anunciada em 28 de setembro.
A decisão também não representa uma suspensão geral de vistos para latino-americanos e não altera, por si só, as regras de emissão de vistos para turistas brasileiros.
O episódio envolve medidas direcionadas a indivíduos específicos e, conforme a política anunciada, seus familiares imediatos.
Essa diferenciação é importante porque uma decisão de política externa contra determinadas autoridades ou cidadãos não significa automaticamente uma mudança nas regras aplicáveis a todos os nacionais daquele país, muito menos a toda a América Latina.
Vistos também podem ser utilizados como instrumento de política externa
O caso evidencia ainda como restrições migratórias podem ser utilizadas pelos Estados Unidos como instrumento de política externa.
O Departamento de Estado afirmou que o mecanismo permite ao governo americano agir rapidamente, em coordenação com países parceiros, conforme surjam novas evidências.
Isso significa que novas pessoas podem ser atingidas no futuro, mas não é possível afirmar, neste momento, quais indivíduos ou países eventualmente poderiam ser incluídos em medidas semelhantes.
Para brasileiros que pretendem viajar aos Estados Unidos a turismo, negócios, estudos ou outras finalidades, as regras continuam vinculadas à categoria de visto correspondente ao objetivo da viagem. O planejamento deve considerar os requisitos oficiais e eventuais atualizações divulgadas pelas autoridades americanas.
Para quem acompanha mudanças em vistos e imigração, o ponto principal desta nova medida é justamente a diferença entre uma restrição individual de visto e uma alteração geral nas regras migratórias. A decisão anunciada em 28 de setembro atinge pessoas determinadas e seus familiares imediatos, não representa uma mudança geral nas regras aplicáveis aos brasileiros.
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Fontes: Departamento de Estado dos Estados Unidos; declaração conjunta do Escudo das Américas, de 22 de setembro de 2026.
Informações consultadas e revisadas em 28 de setembro de 2026.
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