Brasil bate recorde de azeite e teme 2027; entenda
Ibraoliva confirma safra histórica de 1,434 milhão de litros, mas chuva ameaça a colheita do no que vem

A produção brasileira de azeite de oliva bateu recorde em 2026. O país alcançou 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem neste ano, o maior volume já registrado. Assim, o resultado representa um crescimento de 496,75% em relação aos 240,3 mil litros produzidos em 2025. Além disso, o volume supera em 123,98% o recorde anterior, de 640.228 litros, registrado em 2023.
Rio Grande do Sul lidera a produção nacional
O Rio Grande do Sul segue como o grande protagonista do setor. O estado produziu 1,17 milhão de litros de azeite este ano. Dessa forma, o RS respondeu por 81% de toda a produção brasileira. Em seguida, a região da Mantiqueira ficou em segundo lugar, com 250 mil litros produzidos. Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo completaram a lista de estados produtores.
Setor já reúne mais de 600 produtores em oito estados
A olivicultura brasileira também cresceu em estrutura. A cadeia nacional reúne mais de 620 produtores e 77 lagares em operação. Ao todo, esses produtores estão distribuídos por cerca de 280 municípios em oito estados. No Rio Grande do Sul, 390 olivicultores atuam em cerca de 120 municípios. Ainda segundo o levantamento, o estado concentra 69% dos 10,3 mil hectares de oliveiras plantados no país.
Previsão de chuvas já preocupa para a próxima safra
Apesar da festa com o recorde, o setor liga o alerta. Já projeta uma safra menor em 2027 devido à perspectiva de chuvas na primavera gaúcha. Isso porque o resultado de 2026 veio depois de duas safras prejudicadas pelo excesso de chuvas. Por isso, o clima segue como o principal fator de risco para os produtores.
Recorde de produção não deve baixar o preço do azeite
Mesmo com a colheita recorde, o bolso do consumidor não deve sentir alívio imediato. A estimativa é que a garrafa de 500 ml de azeite não gourmet continue entre R$ 30 e R$ 35 em 2026. O motivo é simples: a produção nacional ainda responde por uma fração pequena do consumo doméstico. Afinal, o Brasil consome cerca de 100 milhões de litros de azeite por ano. Por isso, o país segue dependente do produto estrangeiro. O Brasil é o terceiro maior importador mundial de azeite de oliva. Segundo a Embrapa, o país importou 91 mil toneladas na safra 2022/2023.
Preços já caíram, mas ainda pesam no orçamento
Entre 2023 e 2024, o azeite figurou entre os vilões da inflação. Os preços subiram 37% em 2023 e mais 20% em 2024. Depois, o cenário mudou. O preço caiu 22% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Em julho de 2026, o mesmo índice acumulou queda de 17,10% em 12 meses. Contudo, essa queda acompanha a recuperação da oferta europeia após safras mais fracas entre 2022 e 2024.
O consumidor brasileiro segue refém do calendário europeu. O preço no Brasil acompanha de perto a safra europeia, o câmbio e o frete internacional. Assim, uma quebra de safra em Portugal, Espanha ou Itália chega ao consumidor brasileiro meses depois.
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