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Luiz Fara Monteiro

Como empresas podem usar o modal aéreo para chegar a regiões remotas do Brasil

Especialista em logística aérea explica quando o modal compensa o investimento e quais restrições os gestores precisam conhecer antes de embarcar cargas

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Modal aéreo é indicado principalmente para cargas de alto valor agregado Jamef

A movimentação de carga aérea no Brasil pode registrar um novo recorde em 2026, com expectativa de crescimento de até 15% no ano, impulsionada pelo aumento das compras internacionais e pela demanda por produtos de alto valor agregado, como medicamentos, eletrônicos e componentes industriais, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Em junho, o volume transportado por via aérea já havia crescido 6,6% em relação ao mesmo mês de 2025, somando 116,1 mil toneladas no país.

Por que o modal aéreo ganha espaço para atender regiões remotas


Parte desse crescimento está associada à necessidade de conectar regiões com infraestrutura terrestre limitada, como a Região Norte. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 77,8% das rodovias da região estão em estado regular, ruim ou péssimo. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) também aponta que 82% das indústrias do Norte consideram o transporte o principal gargalo de infraestrutura da região. Nesse contexto, empresas que dependem de entregas rápidas ou de difícil acesso rodoviário têm recorrido ao modal rodoaéreo, que combina transporte aéreo e rodoviário para ampliar a capilaridade da entrega.

Quando o transporte aéreo é recomendado para empresas


Segundo Aline Venuto, Gerente Nacional da Jamef Aéreo, o modal aéreo é indicado principalmente para cargas de alto valor agregado e para operações com prazo de entrega reduzido. “Quanto maior o volume, melhor. Além disso, o aéreo atende muito bem quem precisa que a entrega seja feita no menor prazo”, afirma a executiva. A Jamef movimenta atualmente mais de 200 toneladas de carga por mês pelo modal aéreo, volume que acompanha a trajetória de expansão do setor no país.

A empresa atua em todos os aeroportos do país e informa manter atendimento dedicado para acompanhar os trâmites de regularização fiscal e taxação da carga. Segundo a companhia, o transporte aéreo também resulta em índice de avaria zero, o que reduz perdas na entrega de mercadorias.


Restrições que empresas precisam conhecer antes de embarcar cargas

Aline Venuto chama a atenção para restrições que afetam diretamente o prazo de entrega de equipamentos eletrônicos com bateria de lítio. Segundo a executiva, baterias enviadas soltas, sem estar instaladas no equipamento, só podem ser transportadas exclusivamente em aeronaves cargueiras e de acordo com as regras da companhia, nunca em voos comerciais de passageiros, conforme regulamentação da ANAC em vigor desde 2016. Como a malha de aviões dedicados a carga no país é limitada, o atendimento frequente para esse tipo de envio se concentra praticamente na rota de Manaus, o que restringe a agilidade da entrega para outras regiões.


Já quando a bateria está instalada dentro do próprio equipamento, a exigência muda: o embarque passa a ser permitido também em voos comerciais domésticos, o que amplia a cobertura nacional e reduz os prazos de entrega em comparação ao transporte restrito a aeronaves cargueiras, desde que a embalagem seja resistente e traga a etiqueta de identificação correspondente. Por isso, segundo a empresa, planejar o envio com a bateria já instalada no equipamento, sempre que a operação permitir, tende a facilitar o transporte aéreo para regiões fora dos grandes eixos logísticos.

Há também exigências específicas de documentação junto à Receita Federal, e baterias identificadas como defeituosas, danificadas ou sob alerta de recall têm o embarque proibido por regulamentação aeronáutica, independentemente da configuração. Nesses casos, a alternativa indicada pela empresa é o transporte multimodal rodofluvial. A mesma exigência de homologação se estende a outras tecnologias de bateria: assim como as de lítio, as baterias de sódio também precisam estar homologadas conforme a Subseção 38.3 do Manual de Testes da ONU antes do embarque.

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