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Luiz Fara Monteiro
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Crime organizado incorpora drones à vigilância e amplia disputa tecnológica com forças de segurança

Drones pequenos podem operar em baixa altitude, surgir por diferentes direções e permanecer poucos minutos sobre uma área

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Discussão ganha dimensão maior porque vulnerabilidade pode chegar a instalações de energia, portos e outras áreas sensíveis Ôguen

Mais de 40 drones foram apreendidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro entre janeiro e agosto deste ano, número superior aos pouco mais de 20 recolhidos em todo o ano de 2025.

O avanço evidencia uma mudança no uso dessas aeronaves pelo crime organizado. Além de monitorar deslocamentos e antecipar operações, drones passaram a ser empregados no transporte de ilícitos e na observação de áreas sensíveis, criando uma camada aérea de vigilância que muros, câmeras e controles de acesso tradicionais nem sempre conseguem acompanhar.

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Um dos casos que ajudam a dimensionar esse cenário ocorreu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em que um homem foi preso após utilizar um drone para acompanhar policiais e grupos rivais em uma atividade remunerada de vigilância para o tráfico.

Para Hen Harel, CEO e fundador da Ôguen e especialista em tecnologia de detecção de drones e segurança perimetral, o episódio mostra que o planejamento precisa incorporar o espaço aéreo de baixa altitude.

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“Quando o drone passa a integrar uma operação de forma recorrente, não estamos mais falando de um equipamento isolado. Estamos falando de uma nova camada de inteligência que precisa ser considerada pela segurança”, afirma.

O problema, porém, não se restringe ao confronto entre polícia e tráfico. Em agosto, uma operação conjunta da Força Penal Nacional e da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul interceptou dois drones usados para tentar introduzir celulares e substâncias ilícitas na Penitenciária Estadual Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande.

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O mesmo tipo de ameaça pode assumir outras formas em instalações de energia, portos ou áreas de mineração, onde uma aeronave não autorizada pode observar acessos, rotinas operacionais, equipamentos e pontos sensíveis sem que o operador precise ingressar fisicamente no perímetro.

A dificuldade está justamente no perfil dessas aeronaves. Drones pequenos podem operar em baixa altitude, surgir por diferentes direções e permanecer poucos minutos sobre uma área.

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Por isso, detectar a presença de um objeto no céu é apenas a primeira etapa. Sistemas de proteção podem combinar informações de radiofrequência, trajetória e confirmação visual para ajudar a identificar o equipamento e avaliar se a presença exige alguma resposta.

O objetivo não é tratar todo voo como ameaça, e sim reduzir o tempo entre a entrada de uma aeronave desconhecida no perímetro e a compreensão do risco que ela representa.

Essa distinção ganhou ainda mais relevância com a atualização das regras brasileiras. O RBAC nº 100 entrou em vigor em 16 de junho de 2026 e passou a classificar as operações civis de drones conforme o risco, nas categorias Aberta, Específica e Certificada. O DECEA também mantém o SARPAS para os procedimentos relacionados ao acesso ao espaço aéreo.

Em um ambiente no qual operações regulares passam a seguir requisitos mais estruturados de cadastro e autorização, identificar rapidamente uma aeronave não reconhecida se torna parte cada vez mais importante da segurança de áreas críticas. O tema também está no Congresso, onde o PL 3.611/2021 segue em análise no Senado e busca disciplinar o uso de drones por órgãos de segurança pública.

Na avaliação de Harel, a corrida tecnológica exige que o planejamento avance antes que o drone cumpra a finalidade para a qual foi enviado.

“A primeira pergunta é se a organização consegue perceber que existe uma aeronave não autorizada sobre sua área enquanto ainda há tempo para agir. Depois vêm identificação, registro, classificação do risco e resposta dentro das possibilidades legais. Presídios, instalações de energia, portos, mineradoras e forças de segurança enfrentam riscos diferentes, mas compartilham o mesmo desafio: um perímetro protegido no solo pode continuar vulnerável alguns metros acima dele”, conclui.

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