Goldman Sachs alerta para o racionamento de combustível de aviação no Reino Unido
País é maior importador líquido de combustível de aviação na Europa e não possui reserva estratégica, alerta um dos maiores bancos de investimento do mundo

O Reino Unido está cada vez mais perto do racionamento de combustível de aviação por conta da escassez causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Com a possibilidade de os estoques caírem para “níveis criticamente baixos”, cresce a preocupação com o mercado europeu de combustível de aviação e as consequências que isso terá nas viagens neste verão. Algumas companhias aéreas, como a KLM e a Lufthansa já cancelaram voos.
Agora, o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, afirmou que o fechamento contínuo do Estreito de Ormuz criou uma “extrema escassez” no mercado, e o Reino Unido está especialmente vulnerável devido aos seus estoques limitados, à forte dependência de importações e à capacidade de refino restrita. Isso significa que a possibilidade de racionamento está sendo de fato considerada para ajudar a sustentar o setor de viagens.
Os preços do combustível de aviação dobraram desde o início da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Desde então, o primeiro-ministro Keir Starmer fez alertas para que viajantes repensem seus planos de férias.
Em uma nota, o Goldman Sachs afirmou: “O Reino Unido é o maior importador líquido de combustível de aviação na Europa e não possui reservas estratégicas, deixando os estoques comerciais como principal reserva. Como resultado, os estoques em alguns países, especialmente no Reino Unido, podem cair para níveis criticamente baixos, aumentando a probabilidade de medidas de racionamento.”
A região do Golfo fornece cerca de um quinto do combustível comercializado globalmente e, como a Europa depende fortemente desses fluxos, as companhias aéreas agora competem por fontes alternativas, o que eleva ainda mais os preços. Segundo o The Times , o Goldman Sachs observou que o Reino Unido, maior importador líquido de querosene de aviação da Europa, não possui reservas estratégicas e depende principalmente de estoques comerciais como proteção. Esses níveis, particularmente na Grã-Bretanha, podem cair perigosamente, aumentando a probabilidade de racionamento.
Qualquer escassez prolongada provavelmente forçaria as companhias aéreas a cancelar ou consolidar voos, elevando os preços das passagens. O combustível representa até um quarto dos custos operacionais das companhias aéreas. A IAG, empresa controladora da British Airways, já indicou que aumentará as tarifas para compensar o aumento das despesas com combustível, reconhecendo que “não está imune” à volatilidade contínua, apesar das estratégias de hedge.
A Air France prevê um aumento de US$ 2,4 bilhões (£ 1,77 milhão) em seus gastos com combustível de aviação este ano, enquanto a American Airlines antecipa um aumento de mais de US$ 4 bilhões (£ 2,96 milhões) — custos que devem se traduzir em tarifas mais altas e redução de benefícios para os passageiros.
Embora ministros do Reino Unido tenham sugerido que os suprimentos podem ser obtidos de outras fontes, representantes do setor são menos otimistas. O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que as companhias aéreas estão “desesperadamente” buscando voos para cancelar e que isso pode começar em algumas semanas.
Os fornecedores de combustível também alertaram que o Reino Unido tem a “visibilidade mais limitada” da Europa no que diz respeito ao fornecimento de combustível de aviação, principalmente devido à sua dependência das importações do Oriente Médio.
A Comissão Europeia afirmou que divulgará orientações às companhias aéreas esta semana, e um porta-voz observou que a incerteza permanece alta e que estão sendo feitos preparativos para múltiplos cenários.
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