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Luiz Fara Monteiro

Mais da metade dos deslocamentos corporativos são para fechar negócios, aponta pesquisa

Estudo do GBTA mostra que encontros presenciais seguem relevantes

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59% das viagens corporativas têm como objetivo atividades comerciais Imagem gerada por IA/Gemini

Durante a pandemia, a aceleração da digitalização levou muitas empresas a acreditarem que as videoconferências substituiriam definitivamente as viagens corporativas. Cinco anos depois, o cenário é outro. O modelo híbrido se consolidou, mas os encontros presenciais voltaram a ocupar um papel estratégico nas organizações, agora sob uma nova lógica: cada deslocamento precisa ter um propósito mais claro e estar conectado aos objetivos do negócio.

Um levantamento divulgado pelo Global Business Travel Association (GBTA), principal associação mundial do setor de viagens corporativas, ajuda a ilustrar essa transformação. Segundo o estudo, 59% das viagens de negócios realizadas nos Estados Unidos têm como objetivo atividades comerciais, como reuniões com clientes, vendas, visitas técnicas e operações. Os outros 41% são destinados a encontros em grupo, incluindo convenções, treinamentos e eventos corporativos.


O dado mostra que as viagens corporativas continuam tendo espaço mesmo com a expansão das interações virtuais. Ao mesmo tempo, a decisão sobre quando e por que viajar ganha cada vez mais importância. Em vez de simplesmente manter uma rotina de deslocamentos, as empresas precisam avaliar quais encontros presenciais fazem sentido, qual objetivo está associado a cada viagem e que retorno ela pode gerar para o negócio.

Essa transformação também esteve entre os principais temas discutidos durante a GBTA Convention 2026, realizada em Chicago, nos Estados Unidos, que reuniu mais de 5 mil participantes, centenas de expositores e mais de 100 sessões de conteúdo. A Biosfera Copastur esteve presente no evento, acompanhando as principais discussões da indústria global.


Para Felipe Mesquita, Global Expansion Leader, representante da Biosfera Copastur na convenção e membro do GBTA LATAM Advisory Board, a participação brasileira e latino-americana ganhou ainda mais relevância nesta edição. “A América Latina registrou um dos maiores crescimentos de participação nesta edição, refletindo o amadurecimento do mercado regional e a importância crescente das empresas latino-americanas nas discussões globais. O Brasil segue como principal mercado de viagens corporativas da América Latina e tem papel importante na inovação, na adoção de tecnologia e na profissionalização da gestão de viagens”, afirma.

Entre os temas que mais dominaram as discussões do evento estiveram a Inteligência Artificial como aceleradora da produtividade e da experiência de viajantes, o uso de dados e analytics para decisões estratégicas, a integração da sustentabilidade aos objetivos de negócio, além de duty of care, gestão de riscos e resiliência.


“Mais do que acompanhar tendências, estar na GBTA Convention é participar da construção do futuro das viagens corporativas. A inteligência artificial, os dados e a colaboração entre compradores, TMCs, fornecedores e empresas de tecnologia mostram que estamos diante de uma transformação importante na forma como as empresas planejam e gerenciam seus deslocamentos”, destaca Mesquita.

Para a Biosfera Copastur, agência 360 com mais de 25 marcas e produtos de turismo, eventos, tecnologia e outras jornadas – e mais de 50 anos de bagagem em viagens corporativas –, esse cenário amplia o papel da tecnologia na gestão das viagens. Dados, automação e Inteligência Artificial (IA) passam a apoiar não apenas a operação, mas também decisões sobre quando viajar, como viajar e onde a presença física pode gerar mais valor.


“.A pandemia trouxe uma nova perspectiva para a gestão de viagens corporativas e fez as empresas avaliarem com mais critério quando um deslocamento é realmente necessário. Ao mesmo tempo, há situações em que a presença física gera um impacto difícil de alcançar sem a viagem, especialmente em negociações estratégicas, relacionamento com clientes, integração de equipes e grandes eventos corporativos”, afirma Edmar Mendoza Bull, CEO da Biosfera Copastur.

Segundo o executivo, essa mudança também traz uma nova perspectiva para áreas de viagens, compras e gestão, que passam a considerar, além de custos e logística, o objetivo de cada deslocamento e seu potencial de gerar valor para o negócio e as equipes. Entre os fatores analisados antes da aprovação das viagens corporativas estão o fortalecimento de relacionamentos comerciais, a aceleração de negociações, a capacitação de pessoas colaboradoras, a retenção de talentos e a geração de novos negócios.

É nesse contexto que tecnologia, dados e IA podem ajudar a tornar essa análise mais precisa e estratégica. Ao cruzar informações sobre padrões de deslocamento, custos, perfis de viajantes, destinos e objetivos das viagens, essas soluções ajudam as empresas a identificar oportunidades de eficiência e a entender quais encontros presenciais podem trazer maior retorno.

Na Biosfera Copastur, esse movimento já faz parte da evolução da gestão de viagens corporativas. A agência 360 vem ampliando o uso de inteligência artificial, automação e análise de dados para tornar a jornada mais eficiente e apoiar decisões mais assertivas, combinando tecnologia e humanização.

“Estamos falando de uma mudança de paradigma. A tecnologia não entra para dizer simplesmente que uma viagem custa mais ou menos, mas para ajudar a entender qual é a melhor decisão para aquele negócio naquele momento. A inteligência artificial e os dados ampliam a capacidade de análise e permitem que as empresas sejam mais criteriosas sobre quando o deslocamento e a presença física realmente fazem diferença”, destaca Mendoza.

O movimento também se reflete no crescimento dos eventos corporativos. O mesmo estudo do GBTA aponta que os gastos com operações de reuniões e eventos cresceram 11,3% em 2024 nos Estados Unidos, alcançando US$ 217,8 bilhões. O resultado reforça que encontros presenciais continuam relevantes, mas são cada vez mais avaliados dentro de uma lógica mais estratégica de investimento.

Para a Biosfera Copastur, essa tendência também pode ser observada entre empresas brasileiras, especialmente em setores que dependem de relacionamento próximo com clientes, operações distribuídas em diferentes regiões ou processos intensivos de inovação. No Brasil, onde as dimensões territoriais tornam os deslocamentos parte importante da rotina de muitas organizações, a combinação entre tecnologia, dados e experiência humana ganha ainda mais relevância.

“As empresas não estão simplesmente voltando à lógica de viagens e eventos corporativos de antes da pandemia. O momento exige uma avaliação mais estratégica sobre quais experiências presenciais priorizar. Hoje, a pergunta deixou de ser se a viagem ou evento é necessário e passou a ser qual resultado precisa gerar para justificar o investimento”, afirma o executivo.

Essa combinação entre experiências presenciais e virtuais tende a ganhar cada vez mais espaço na gestão das empresas. Com apoio de dados, tecnologia e IA, a viagem corporativa ganha ainda mais relevância como ferramenta de apoio aos objetivos de negócio, além do seu papel operacional.

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