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Luiz Fara Monteiro

Pesquisa da SITA revela que resultado de investimento recorde em tecnologia na aviação depende de da coordenação de dados

Relatório identifica um padrão consistente em IA, cibersegurança, identidades digitais e sustentabilidade

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Compartilhamento e coordenação de dados operacionais entre sistemas e parceiros: foco para a indústria SITA

O relatório Air Transport IT Insights 2025, da SITA, aponta que, embora a indústria de transporte aéreo tenha investido um valor recorde de US$ 50,8 bilhões em tecnologia em 2025, um obstáculo comum continua surgindo: quando os dados não fluem livremente entre sistemas e parceiros, esse investimento não consegue entregar plenamente os resultados para os quais foi projetado. O custo dessa lacuna na coordenação de dados é ainda maior no contexto atual, em que o conflito no Oriente Médio continua a impactar a indústria em escala global.“Estamos divulgando esta pesquisa em um momento em que a indústria enfrenta grande pressão. Em todas as áreas analisadas, surge a mesma limitação: se os dados não circulam livremente entre sistemas e parceiros, o investimento não consegue entregar plenamente o que propõe. Essa limitação tem um custo maior hoje, mas também representa uma oportunidade clara de sair mais forte”, afirma David Lavorel, CEO da SITA.Companhias aéreas e aeroportos estão aumentando seus investimentos em TI. Em 2025, as companhias aéreas destinaram US$ 36 bilhões, ou 3,6% de sua receita, enquanto os aeroportos elevaram seus gastos para US$ 14,8 bilhões, representando 7,3% da receita, ante 6,4% no ano anterior. A razão é comum para ambos: 83% das companhias aéreas e 89% dos aeroportos afirmam que a tomada de decisão baseada em dados é uma prioridade estratégica - um sinal claro de que a indústria está construindo ativamente as bases operacionais das quais depende sua resiliência.

Dados das Américas


Nas Américas, dois pontos se destacam: 65% dos aeroportos aumentaram os gastos com TI em 2025, ligeiramente à frente dos 57% das companhias aéreas, tornando esta a única região em que os aeroportos demonstram maior intenção de investimento do que as empresas aéreas. Todas as companhias aéreas da região apontam as ferramentas de IA como o principal investimento planejado em dados e tecnologia para os próximos dois anos, e 73% dos aeroportos fazem o mesmo.No entanto, a adoção de plataformas de dados nos aeroportos ainda é limitada: 50% têm uma implementada atualmente, e 20% não têm planos de adotar uma antes de 2027. O compartilhamento de dados entre parceiros está em 31% para as companhias aéreas e 49% para os aeroportos.A cibersegurança é o principal desafio de TI e dados para os aeroportos das Américas, citada por 60%, e também o principal fator de investimento em infraestrutura, mencionado por 72%. A região está investindo e implementando IA de forma ativa, enquanto a infraestrutura de coordenação de dados, especialmente nos aeroportos, ainda está em processo de evolução.

A confiabilidade operacional se tornou um fator direto de desempenho financeiro


Quando as operações operam próximas da capacidade máxima, qualquer interrupção gera impacto financeiro direto. Somente os atrasos de voos representam US$ 30 bilhões da receita total do setor, segundo a IATA. Melhorar a previsão e a resposta a interrupções é fundamental, e por isso a integração de dados começa a ser tratada de forma ativa: 46% das companhias aéreas estão atualizando seus sistemas de operações de voo para tornar as informações consistentes e acessíveis em tempo real entre sistemas de voo, tripulação, aeronaves e passageiros.O objetivo é fornecer às equipes operacionais uma visão compartilhada que permita agir mais cedo, antes que um atraso isolado se transforme em um problema em rede. Ainda assim, 49% das companhias aéreas apontam a integração e a consistência de dados como a principal barreira para alcançar esse objetivo. Quando as informações estão fragmentadas, a janela para intervenção precoce se fecha antes de ser aproveitada.

A IA gera mais valor quando coordena decisões entre múltiplos sistemas


As primeiras aplicações de IA na aviação focaram em sistemas individuais: alertas preditivos, otimização de rotas e manutenção. A mudança atual é mais significativa. Ao todo, 63% das companhias aéreas utilizam IA no controle de operações para gerenciar interrupções, alocação de aeronaves e disponibilidade de tripulação simultaneamente, avaliando opções de recuperação sob múltiplas restrições antes de recomendar ações.Além disso, 69% apontam a IA generativa e os modelos de linguagem como principal prioridade de investimento para os próximos 12 meses - um indicativo de que a ambição supera a implementação atual.A IA é usada com mais confiança dentro de sistemas isolados e menos quando depende de dados consistentes de múltiplos parceiros: apenas 17% das companhias aéreas utilizam IA para monitorar atividades de turnaround em tempo real. Os aeroportos estão avançando para reduzir essa lacuna, com 53% já aplicando IA nesse processo, frente a 36% em 2024. No entanto, o limite do impacto da IA não está na tecnologia, mas na alinhamento dos dados.“A aviação está implementando IA com grande ambição. Mas a pesquisa é clara: a principal barreira para maximizar esse investimento é a falta de integração de dados em toda a operação. A tecnologia existe. A infraestrutura de dados para conectá-la, muitas vezes, não”, acrescenta Lavorel.

A cibersegurança passa a proteger dados compartilhados, não apenas plataformas


À medida que companhias aéreas e aeroportos conectam mais sistemas, o impacto de um incidente cibernético muda. Um ataque deixa de afetar apenas uma plataforma e passa a comprometer a precisão e disponibilidade de dados compartilhados - como mudanças de portão, status de voo e informações de passageiros.Nesse caso, 67% dos aeroportos classificam a cibersegurança como sua principal prioridade em TI, e 68% apontam como principal motivador de investimentos em infraestrutura. Como resposta, 64% dos aeroportos já utilizam IA em cibersegurança para detectar anomalias mais rapidamente e reduzir o tempo de resposta (ante 51% em 2024).

Identidades digitais avançam rapidamente, mas dependem de coordenação

A adoção de identidades digitais emitidas por companhias aéreas e aeroportos está acelerando. Sessenta e quatro por cento das companhias planejam utilizá-las (ante 32% em 2024), enquanto o controle biométrico de fronteiras, já presente em 54% dos aeroportos, deve alcançar 83% até 2028.A tecnologia está pronta, mas o valor depende da coordenação: 57% das companhias aéreas apontam a cooperação com aeroportos como requisito principal para escalar essas soluções. Um sistema de identidade só funciona quando todos os pontos da jornada reconhecem o mesmo dado. Sem esse alinhamento, a infraestrutura existe, mas o benefício não.

Sustentabilidade avança mais onde os dados são controlados diretamente

Os dados de sustentabilidade mostram o mesmo padrão. O avanço é maior onde um único operador controla dados e decisões:

  • 83% das companhias estão renovando frotas;
  • 67% utilizam combustível sustentável em locais específicos;
  • 75% dos aeroportos monitoram energia com sistemas de gestão predial.

Já soluções que dependem de compartilhamento de dados - como rastreamento total de emissões - permanecem abaixo de 20%. O padrão é claro: em IA, cibersegurança, identidades digitais e sustentabilidade, o progresso é maior onde há coordenação de dados entre sistemas e parceiros.“Em todas essas áreas, a limitação é a mesma: dados que não circulam livremente. A coordenação de dados não é uma prioridade futura, é o fator que limita resultados hoje”, conclui o executivo.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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