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Luiz Fara Monteiro

Proximidade excessiva entre dois aviões em Congonhas foi controlada

Aviões da GOL e Azul perderam a separação de segurança mas incidente foi controlado pela torre

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Arremetida do Boeing da GOL, no alto à esquerda. E o Embraer da Azul, no final da pista, decolando Reprodução canal Golf Oscar Romeu

Um Boeing 737-800 da GOL e um Embraer E195-E2 da Azul estiveram bem mais próximos do que deveriam em pleno ar, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

O Azul foi autorizado a alinhar e decolar da pista 17R, a pista localizada do lado direito do aeródromo. Ao mesmo tempo, o controlador de tráfego autorizou o avião da GOL a seguir sua aproximação para o pouso na mesma pista.


Todo o evento foi registrado pela câmera 24 horas do Canal Golf Oscar Romeo e você pode assistir clicando no link ao final do texto.

Por um motivo desconhecido, o avião da Azul demorou para iniciar a corrida de decolagem. Com isso, o controlador chamou a cabine do Azul e ordenou que sua decolagem fosse interrompida.


Estranhamente, os pilotos do Embraer não responderam. A torre voltou a contactar o avião da Azul e, mais uma vez, sem resposta.

Ao perceber que a mensagem não foi recebida, o controlador determinou ao Boeing da GOL que arremetesse, já que o outro avião ainda corria na pista para decolar.


Os pilotos da GOL cotejaram a determinação, ou seja, repetiram a ordem dada pelo controlador para confirmar o recebimento da mensagem e arremeteram. O procedimento de arremetida é tão comum quanto seguro na aviação mundial.

E, ao contrário do que muitos pensam, serve justamente para evitar uma situação de perigo, como no caso específico. Também em Congonhas, por conta do tráfego intenso de aeronaves, as arremetidas não são raras, especialmente para evitar uma aproximação maior entre os aviões.


Enquanto o Boeing da GOL arremetia, o Azul seguia em seu procedimento de decolagem, o que fez com que as aeronaves ficassem muito próximas uma da outra.

Instantes antes do incidente, na cabine de ambas as aeronaves, entrou em ação uma outra camada de proteção à segurança, o TCAS, sigla em inglês para Traffic Collision Avoidance System.

Trata-se do Sistema de Alerta de Tráfego e Anti-colisão, dispositivo que utiliza os transponders para detectar outras aeronaves próximas, emite alertas visuais e sonoros de tráfego e, em caso de risco de colisão, ordena manobras evasivas de subida ou descida aos pilotos, para desviar do tráfego.

O que difere esta ocorrência de outros incidentes de “quase colisão”, chamados na aviação de “close call” ou “near-miss”, é que tanto o controlador quanto os pilotos da GOL estavam cientes da situação. Ou seja, apesar da proximidade excessiva, não houve alto risco de colisão.

O que deve ser analisado nesse caso é o porquê dos pilotos da Azul supostamente não terem respondido a determinação de urgência da torre. Os investigadores deverão verificar, por exemplo, se o rádio na cabine do Azul estava operacional na frequência da torre.

Na aviação, incidentes e acidentes são investigados justamente para evitar a ocorrência de novos eventos semelhantes. O que se viu nesta quinta-feira em Congonhas foi a redundância das ações preventivas e o altíssimo grau de segurança da aviação, mais uma vez evitando o pior.

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