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Luiz Fara Monteiro

Coração atravessa o oceano em voo comercial de 12 horas e abre nova fronteira para transplantes

Transplante foi considerado avanço monumental e permite maior acesso a corações de doadores

Luiz Fara Monteiro|Luiz Fara Monteiro e Luiz Fará Monteiro

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Air France: coração de um doador foi transportado em voo que cruzou o Oceano Atlântico
Air France: coração de um doador foi transportado em voo que cruzou o Oceano Atlântico Lucas Batista / @pilotlucas

Em uma inovação mundial para os setores de aviação e medicina, um coração de um doador foi transportado em um avião comercial que cruzou o Oceano Atlântico. A tecnologia é da empresa de transplante de órgãos XVIVO.

Utilizando o Heart Assist Transport da XVIVO, o coração de um homem de 48 anos, falecido nas Índias Ocidentais Francesas, uma sub-região da América do Norte, cercada pelo Oceano Atlântico Norte e pelo Mar do Caribe, foi transportado com segurança para Paris na cabine de um avião comercial da Air France, mesmo enfrentando forte turbulência em parte da rota.


Conforme relatado pelo The Lancet, um transplante bem-sucedido foi realizado em um paciente de 70 anos em estado terminal no Hospital Pitié-Salpêtrière, da Universidade Sorbonne, em Paris, em janeiro de 2024.

A tecnologia cardíaca patenteada da XVIVO, um dispositivo de perfusão com solução proprietária, permitiu que o coração doado fosse bombeado com fluido oxigenado durante o transporte por mais de 12 horas fora do corpo humano.


Entre as Índias Ocidentais Francesas e a França, o coração do doador viajou 6.750 km, ou 3.659 milhas náuticas. No entanto, graças à tecnologia da XVIVO, o órgão recuperou imediatamente a função normal após o transplante.

Embora não seja incomum que corações de doadores sejam transportados em jatos particulares, a evolução da tecnologia agora tornará possível utilizar voos comerciais menos dispendiosos, tornando os transplantes de órgãos mais facilmente acessíveis.


De acordo com a XVIVO, atualmente os pacientes nas Índias Ocidentais Francesas com doença cardíaca terminal precisariam viajar para Paris para um procedimento de transplante.

Este transplante marca o início do estudo conduzido pelo Hospital Pitié-Salpêtrière, chamado 'PEGASE'. O ensaio tem como objetivo investigar a viabilidade e segurança da preservação do coração do doador durante longos períodos de transporte usando perfusão hipotérmica oxigenada (HOPE).


“Avanço monumental no transplante cardíaco”

O professor Guillaume Lebreton, investigador principal do estudo PEGASE e cirurgião de transplante do Hôspital Pitié-Salpêtrière, declarou: “Este transplante pode representar um avanço monumental no campo do transplante cardíaco, possibilitando um acesso ampliado a corações de doadores anteriormente não utilizados, que agora podem ser aproveitados e transportados com segurança por vastas distâncias. Além disso, sugere uma reorganização dos procedimentos de transplante, permitindo um melhor planejamento e cirurgias conduzidas por especialistas. Essas mudanças podem melhorar os resultados globais e redefinir a abordagem aos cuidados de transplante cardíaco.”

Lebreton acrescentou: “É impressionante que o coração do doador, após mais de 12 horas fora do corpo, ainda estivesse macio e viável. Isso contrasta com os corações dos doadores transportados em gelo, que após algumas horas podem estar rígidos, com funcionamento comprometido e necessitando de suporte circulatório mecânico após o transplante.”

Quando o sucesso foi inicialmente reportado, em fevereiro de 2024, a XVIVO confirmou que o paciente de 70 anos estava se recuperando bem e já estava de volta em casa.

“O sucesso alcançado neste caso, onde a distância e o tempo de transporte já não são fatores limitantes, demonstra que esta tecnologia tem o potencial de mudar o paradigma da preservação cardíaca. A XVIVO deu agora mais um passo significativo para concretizar nossa visão de que 'ninguém deveria morrer à espera de um novo órgão'”, afirmou Christoffer Rosenblad, CEO da XVIVO.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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