Polícia Federal lança desafio de produtividade entre os servidores
O “Desafio PF 2025”, publicado no sistema interno, oferece equipamentos para trabalho como premiação, para equipes com melhor performance

Uma matéria publicada no sistema interno da Polícia Federal esta semana traz metas, regras e previsão de prêmios para as Superintendências Regionais que devem competir “isoladamente e em blocos regionais”, entre os dias 10 de março e 9 de setembro.
Segundo a matéria, o desafio 2025, lançado pela Corregedoria do órgão, tem o intuito de alcançar a melhor performance nos indicadores de operações, perícias e de polícia judiciária, com “ganho em eficiência e celeridade, aumento da integração entre as principais áreas de investigação e a identificação de boas práticas e inovação”.
O Desafio PF 2025 foi previsto em duas etapas:
A Etapa 1, entre 10 de março e 11 de junho, propõe uma competição entre as 27 Superintendências Regionais. Entre critérios de pontuação está redução percentual de inquéritos sem despacho há mais de 80 dias e de perícias requisitadas há mais de um ano.
Na Etapa 2, de 10 de março a 09 setembro, a competição é entre as cinco regiões do país. Cada região deverá performar com excelência em critérios operacionais (quantidades de relatórios de operação de Polícia Judiciária, indiciamentos, por exemplo) além da redução percentual de IPL’s instaurados até 2020.

A publicação gerou desconforto entre alguns servidores, que consideraram o desafio “um desrespeito ao trabalho, já muito estressante”.
No mesmo dia da publicação no sistema interno, a ADPF (Associação de Delegados de Polícia Federal) endereçou ao diretor-geral da PF, dr. Andrei Rodrigues, uma carta pedindo “a imediata suspensão do projeto”, alegando que “qualquer aumento de produtividade ou carga de trabalho deveria ter como reflexo a justa retribuição em pecúnia, como os honorários da AGU, os bônus de arrecadação da Receita Federal e o acúmulo de acervo do Judiciário e Ministério Público”.
A nota questiona as premiações ofertadas no desafio “missões ou recompensas logísticas (viaturas e eletrônicos) constituem obrigações naturais do órgão”.
A associação aproveitou o caso para reclamar, pelo documento, da falta de pagamento do sobreaviso. Hoje toda delegacia de Polícia Federal tem a obrigatoriedade do serviço de “sobreaviso”. É aquele serviço que o policial pode ficar em casa, mas não pode sair para muito longe do local de trabalho, não pode consumir álcool ou se comprometer com outra obrigação, pois pode ser chamado a qualquer momento.
O serviço paga cerca de R$10 a mais por hora de sobreaviso, mas desde setembro foi suspenso por um contingenciamento do orçamento da instituição.
Por outro lado, alguns delegados falaram ao blog em defesa da tentativa da atual gestão com o uso de desafios, que vêm sendo utilizados como ferramenta de melhoria pela Corregedoria-Geral nos últimos dois anos. Com dados, afirmaram que o projeto tem trazido bons resultados para a instituição e para a população.
Em especial, citaram a diminuição do tempo médio de duração de uma investigação. Os inquéritos tiveram uma redução de 700 dias para 450.













