Veja quem são os jovens advogados e estagiários atuando no maior julgamento dos últimos tempos
Entre advogados renomados e experientes, jovens promissores se destacam e atuam no julgamento sobre tentativa de golpe de estado

São oito os réus, mas cada banca de advogados tem pelo menos cinco nomes, cinco sessões marcadas, mas sem data oficial para acabar. O presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, ministro Cristiano Zanin, já afirmou que, se preciso for, agendará mais sessões para a conclusão deste, que é o julgamento com a maior audiência dos últimos tempos.
O tribunal autorizou a entrada de 501 jornalistas entre brasileiros e estrangeiros. Ao todo, o STF recebeu 3.357 inscrições do público para acompanhar o julgamento nas dependências do tribunal. Foram disponibilizados 150 lugares na Segunda Turma. Telões foram montados dentro e fora do prédio para que todos possam acompanhar as sustentações dos advogados e votos dos ministros.
Dentro do plenário da Primeira Turma, onde o julgamento ocorre, há apenas 120 lugares fixos onde ficam apenas ministros, assessores dos ministros, advogados, réus, poucos servidores do tribunal e houve a adaptação de 80 lugares para jornalistas.
Entre nomes famosos do direito penal, criminalistas como Cezar Bittencourt, Celso Vilardi e Paulo da Cunha Bueno, chamou a atenção a quantidade e qualidade dos jovens nas bancas de advogados.

O mais novo entre os advogados inscritos para fazer sustentação oral, o advogado do general Heleno, Matheus Mayer Milanez tem apenas 33 anos e casos de relevância na carreira, quase meteórica.
O jovem de Campinas (SP) se mudou para Brasília para cursar direito na Universidade Federal. Sem nenhum advogado na família, ele diz que já tinha certeza de que queria ser criminalista.
O primeiro trabalho na área foi há oito anos. Desde o estágio até a fase de recém-formado, Milanez atuou no caso do ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso com R$ 51 milhões em malas dentro do apartamento.
“Desde a faculdade queria essa área, mas a primeira vez que me vi como um criminalista foi ainda como estagiário. Eu visitava o Geddel praticamente todos os dias da semana na cadeia.”
No começo da carreira, Milanez atuou em muitos casos de militares, por isso acabou ficando conhecido entre os militares também do Exército.
O caso do general Heleno, no entanto, é a grande causa de sua carreira. Ele atua como advogado principal do caso dentro de seu próprio escritório.
Entre os mais novos advogados no plenário da Primeira Turma está Enzo Novacki. Aos 23 anos, ele compõe a banca que defende o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. Enzo já estagiava no escritório do pai, mas se formou no começo deste ano e pegou o registro da Ordem dos Advogados do Brasil em junho.
De lá para cá já assinou como advogado principal na causa dos pássaros encontrados e levados da casa de Anderson Torres, por estarem em situação irregular. Ele derrubou, na justiça, as multas e sanções administrativas contra Torres e conseguiu o decisão para a devolução dos pássaros ao ex-ministro.
Outro jovem advogado atua na defesa do coronel Mauro Cid. Rafael Miranda tem apenas 28 anos. A formatura do advogado foi em plena pandemia. Ele começou a atuar como advogado em 2022, mas conta que já exercia a profissão nos bastidores, ganhando experiência na condução processual.
Ao blog, Miranda conta que começou atuando em causa própria. Aos 15 anos, ele ganhou um fusca do avô, que é sua inspiração profissional: o advogado e ex-deputado José Edmar Brito Miranda.
Quando ele faleceu, o fusca, que estava no nome do avô, foi arrolado no inventário e levado pela justiça, por restrições judiciais em ações contra o idoso. Pelo valor afetivo, o jovem advogado fez o processo e conseguiu de volta o fusca, que tem até hoje.
“Tive que entrar com uma ação de usucapião para regularizar essa documentação para o meu nome, mas, sobretudo, para preservar e cuidar de um presente que ganhei do meu avô, que sempre foi a minha grande inspiração.”
Na defesa de Mauro Cid, Miranda é quem faz o acompanhamento das sessões, participa da montagem das peças e correções. Hoje ele é o representante do escritório em Palmas (TO).
“É uma honra muito grande estar vivendo esse momento, sobretudo por estar ombreando com grandíssimos profissionais do direito penal do nosso país”, afirmou Miranda ao blog.

Réus da AP 2668
O Núcleo 1 é composto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência), Almir Garnier Santos (almirante e ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Mauro Cid (tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (general e ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
Os acusados respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e privacidade de patrimônio tombado.
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