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Putin busca a reeleição em meio a tensões internacionais

Presidente da Rússia tem amplo favoritismo nas eleições deste domingo (18), que deverão mantê-lo no poder por mais seis anos

Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky, do R7

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Polêmicas internacionais fortalecem Putin internamente
Polêmicas internacionais fortalecem Putin internamente

Enquanto o mundo se movimenta para deixar a Rússia cada vez mais acuada, seu presidente, Vladimir Putin, 65 anos, caminha a passos largos para se manter no poder por mais seis anos e se consolidar como o político mais popular na história do país.

Não, não se trata de Putin "O Terrível", tampouco de um czar da era pré-revolução soviética. Ele tem seu estilo próprio, mais cadenciado, menos explosivo, mas já se equipara a qualquer uma dessas figuras.


Nas eleições deste domingo (18), Putin, sem partido, desponta com amplo favoritismo, devendo vencer, segundo as pesquisas, com mais de dois terços dos votos. As eleições, aliás, foram adiadas em uma semana justamente para coincidirem com a data da anexação da Crimeia, quatro anos antes.

O tema Crimeia retrata bem um dos fatores que levam o presidente a manter a popularidade interna e uma ampla impopularidade entre os países do Ocidente. A anexação da região, aprovada em plebiscito, foi um dos principais fatores que provocaram uma era de hostilidades entre o governo russo de um lado e, de outro, o Estados Unidos e a União Europeia, culminando com sanções ao país.


Putin popular

Na ocasião, o presidente russo utilizou o nacionalismo para ajudar a desviar a atenção da população para uma crise econômica que não cedia. Justamente ele, que desde 2000 comanda o país (sendo primeiro-ministro entre 2008 e 2012) e ganhou credibilidade ao reestruturar a economia russa.


Criou rapidamente uma classe média com poder de consumo, após um período de privatizações, desemprego e inflação, que prevaleceu na transição após o fim da União Soviética.

Quando o crescimento arrefeceu, ele optou pelo nacionalismo e, mesmo suas incursões na Síria, sempre sob o pretexto de defender a justiça e os interesses russos, são muito bem vistos no país. Neste momento, o país volta a dar sinais de recuperação econômica.


Sua popularidade é mantida, também, com base em um forte controle da imprensa e censura a opositores. O Supremo Tribunal da Rússia rejeitou, em 30 de dezembro último, um recurso do opositor Alexei Navalny, que seria o maior adversário de Putin, mas ficou impedido de participar das eleições.

Outros candidatos menos populares até podem discursar contra o presidente, que, supostamente, faz vistas grossas por eles não oferecerem perigo e para manter uma aparência de democracia.

É o caso de Ksenia Sobtchak, 36 anos, única mulher na corrida presidencial russa. Ela encerrou a campanha mostrando potencial para atrair os mais jovens. E fez uma manifestação em homenagem às mortes atribuídas, por opositores, ao regime do atual presidente.

O adversário mais próximo de Putin, Pavel Grunidin, milionário de 57 anos, é gestor de uma quinta de morangos. Seu discurso é contraditório justamente por ele ser filiado ao Partido Comunista e defender ideias totalmente distintas das comunistas. Ele tem cerca de 8% nas pesquisas recentes.

Tensões com Reino Unido

Neste contexto, o atrito com o Reino Unido veio para fortalecer ainda mais o presidente russo diante de sua população. Com um discurso nacionalista, ele tem conseguido convencer a sociedade local de que há uma maciça perseguição ocidental ao seu governo, numa tentativa, segundo ele, de minar a soberania russa.

Reino Unido: é 'provável' que Putin tenha ordenado ataque a ex-agente

Ele nega taxativamente as acusações do Reino Unido, nas quais o governo de Theresa May atribui à Rússia o envenenamento do espião Serguei Skripal e de sua filha, Yulia, em 4 de março último, em Salisbury.

Como consequência, o governo britânico expulsou 13 diplomatas russos, supostamente ligados a uma "inteligência informal". A União Europeia e os Estados Unidos, que inclusive aplicaram novas sanções à Rússia, partiram em defesa do Reino Unido.

A Rússia reagiu com indignação, exigindo uma investigação mais rigorosa e prometendo realizar uma própria. Mas enquanto desabafava sua contrariedade, Putin já contabilizava os votos que estava ganhando na votação de domingo. Preparando-se para mais seis anos no poder, um período que certamente trará novos capítulos à já intrincada geopolítica mundial.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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