Mudei de casa e ganhei algumas lições
Um relato pessoal de como uma mudança pode dar dor de cabeça - e ensinar um bocado também!

Você já deve ter passado por isso uma, duas, talvez várias vezes. Eu estou na minha sexta mudança em cinco anos. E, toda vez que acontece, eu juro pra mim mesma que vai demorar anos pra repetir a dose. Como você deve ter feito o cálculo por aí, a promessa não tem dado muito certo.
Essa é a segunda mudança em solo paulistano. Na primeira, decidi que o frete levaria só a mudança pesada, como os móveis maiores e algumas caixas. Afinal, eu nem tenho tanta coisa… ou, pelo menos, eu achava (e sei que você já deve ter usado essa frase em algum momento também).
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E aí, a cada gaveta, a cada armário, vinha a surpresa. Coisas que a gente vai acumulando, tem pena de se desfazer, ou ainda “vai que precisa em algum momento?”. Quando terminei, depois de três semanas, estava exausta. E jurei que nunca mais faria isso.
Mas cá estou eu, de novo, transportando pra lá e pra cá malas, caixas, louças (a que herdei da minha avó é uma verdadeira saga toda vez) e um zilhão de sacolas.
A mudança, no entanto, tem seus pontos positivos. Eu adoro uma novidade! É empolgante, cheia de possibilidades. E há que se ver a lição toda vez que ela acontece. Essa, em particular, veio com um ensinamento extra - que já explico.
Deixa eu começar pelo mais óbvio, que você deve ter passado também, mesmo que tenha sido mais esperto do que eu e contratado/arranjado ajuda: quando a gente coloca a vida em caixas, malas e sacolas, acaba decidindo o que permanece e o que precisa ir embora.
É simbólico e importante. No novo ciclo que começa, nem tudo faz mais sentido como fazia antes. E parece que a gente fica mais leve, que alivia o peso que a gente carrega. E abre espaço pro novo, claro! É um recomeço.
Organizar tudo na casa nova também é um exercício e tanto. De paciência, porque não se resolve tudo em uma semana (principalmente quando é preciso comprar móveis e afins. Montar uma casa nova é um processo).
E funciona também quase como uma retrospectiva pessoal. O que ficou tem muita memória e muita importância - como a louça da minha avó e uma porção de itens que me acompanham desde Porto Alegre. Inegociáveis!
Mas a lição nova veio de um amigo, durante o surto em meio ao caos — porque, convenhamos, em meio ao cansaço e à sensação de que “não vai acabar nunca”, dá vontade de sentar no chão e chorar.
No meu caso, desabafei. E a resposta dele fez todo sentido e foi bem mais profunda que um mero conselho (aliás, o ditado sempre fala que, se conselho fosse bom, a gente vendia. Mas, vai por mim, esse é).
Ele disse assim: “Às vezes a gente precisa aprender a soltar um pouco o controle e delegar. É igual reeducação alimentar ou adotar uma vida mais saudável. No início é difícil, horrível, mas depois a gente se pergunta por que não fez isso antes”.
Eu ri, mas sabia que ele tinha razão. E tocou em um ponto bem mais profundo que uma mera mudança de endereço (no meu caso, dessa vez, apenas de bairro). Quantas vezes a gente tenta ter o controle de tudo como se isso garantisse que tudo vai dar certo? Sofre com entregar esse tal controle pra outra pessoa? Ou até acha até que pedir ajuda é sinônimo de fraqueza?
Bom… essa minha mudança mais recente deve estar terminando enquanto você lê esse relato, ainda que muita gente que acompanhou meu sufoco no dia a dia tenha avisado que levar até um mês pra desfazer todas as caixas ainda é um prazo aceitável.
Mas, na próxima, eu PROMETO que vou delegar um pouco mais, pedir ajuda. Só espero que ela demore mais que um ano pra acontecer. Fica aqui, aliás, a promessa pública! Se alguém me vir por aí enchendo um porta-malas de caixas, louças, móveis e malas pelos próximos meses… pode me cobrar!
E você, como lida com uma mudança? Me conta aqui ou lá no Instagram!
Ah! Falei um pouquinho sobre minhas outras mudanças — e muito mais — no PodCringe, com o Michael Keller:
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