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Em julgamento, mãe de Marielle passa mal e sai amparada por neta e filha

Pouco depois, filha da vereadora, Luyara Franco, foi levada em cadeira de rodas a tenda de atendimento em saúde

Quarta Instância|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco, é amparada por Anielle Franco após passar mal no julgamento Gustavo Moreno/STF

Marinete da Silva, a mãe da vereadora Marielle Franco, passou mal e, aos prantos, deixou a sessão de julgamento dos acusados de mandar matar a filha, na manhã desta quarta-feira (25). Ela saiu do Plenário da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) acompanhada pela outra filha, a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial), e pela neta, Luyara Santos, após o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, iniciar o voto sobre o caso.

A mãe da vereadora foi atendida por brigadistas da Corte e estava com a pressão arterial em 17 x 12. Marinete aguardou sentada em um sofá fora do Plenário e, após cerca de meia hora, voltou à sala para acompanhar o restante do julgamento. Pouco depois, no mesmo local, Luyara passou mal e foi levada de cadeira de rodas a uma tenda de atendimento em saúde.


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No voto, o ministro afirmou que Marielle era uma mulher preta, pobre e que estava “peitando os interesses dos milicianos”. “Na cabeça misógina de mandantes, ninguém iria ligar para isso. Acharam que não teria repercussão”, entendeu o relator.

Moraes acrescentou que a questão de delitos motivados por questões políticas tem sido tema de pesquisas: “Em recente estudo, de janeiro de 2026, citam o número de crimes políticos com a infiltração do crime organizado nos Parlamentos. Um desses casos é o de Marielle Franco. As democracias enfrentam desafios crescentes, ascensão da direita e infiltração do crime organizado”.


Acusados de serem mandantes

A Primeira Turma do STF retomou, às 9h desta quarta-feira (25), o julgamento da ação penal contra os cinco acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o motorista da parlamentar, Anderson Gomes, também morreu.

Os ministros vão decidir se condenam ou absolvem os acusados:


  • Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro);
  • João Francisco (Chiquinho) Inácio Brazão, ex-deputado federal e irmão de Domingos Brazão;
  • Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da PCRJ (Polícia Civil do Rio de Janeiro);
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial militar; e
  • Robson Calixto Fonseca (Peixe), ex-assessor de Domingos Brazão no TCE-RJ.

Eles estão presos preventivamente, mas Chiquinho teve direito ao regime domiciliar. Após o voto de Alexandre de Moraes, votam os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino (presidente da Primeira Turma).

Na sessão de terça-feira (24), a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a condenação dos cinco réus.


O órgão acusou Domingos e Chiquinho Brazão pelos seguintes crimes:

  • Homicídio triplamente qualificado contra Marielle e Anderson;
  • Tentativa de homicídio triplamente qualificado contra a assessora Fernanda Chaves, que estava no carro com as outras vítimas;
  • Pertencimento a organização criminosa armada e estruturalmente ordenada.
  • As qualificadoras apontadas são: motivo torpe — devido a promessa de recompensa; uso de meio que resultou em perigo comum; e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

As denúncias contra Rivaldo Barbosa e Ronald Paulo Alves Pereira são pelos crimes de:

  • Homicídio triplamente qualificado contra Marielle e Anderson; e
  • Tentativa de homicídio triplamente qualificado contra Fernanda Chaves.

E, para Robson Calixto Fonseca, a PGR pediu a condenação por crime de pertencimento a organização criminosa armada. Além disso, quer quer os acusados paguem indenização por danos morais e materiais às famílias afetadas.

Motivação do crime

A motivação para o planejamento do assassinato de Marielle, segundo a PGR, foi política e econômica, diretamente ligada aos interesses de uma organização criminosa chefiada pelos irmãos Brazão — apontados pela acusação como autores intelectuais do crime.

O grupo explorava o mercado imobiliário irregular e controlava áreas dominadas por milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro, segundo a Procuradoria-Geral da República.

Para o órgão, Marielle se tornou a principal opositora e o mais ativo símbolo de resistência aos interesses econômicos dos irmãos Brazão. A morte dela, portanto, teria sido encomendada, pois a atuação parlamentar ameaçava os negócios do grupo.

Responsáveis pela execução das vítimas, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados a mais de 59 anos de prisão, em outubro de 2024, pelo júri popular. A delação dele deu base, junto a outros elementos, à acusação da PGR. Contudo, as defesas dos réus contestaram as informações prestadas pelo delator.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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