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STF decide, por unanimidade, condenar irmãos Brazão e outros três no caso Marielle Franco

Moraes frisou a relação dos assassinatos com a milícia e como a vereadora ‘atrapalhava’ interesses políticos e econômicos do grupo

Brasília|Bruna Pauxis e Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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A turma que julga o caso Marielle é a mesma que julgou Bolsonaro sobre o 8 de Janeiro Antonio Augusto/ STF - 24.02.2026

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, votou para condenar os irmãos Brazão por mandar matar a vereadora e seu motorista. Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator na íntegra.

Além de Domingos e Chiquinho Brazão, outros três réus respondem no processo:

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  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, major da PM;
  • Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos no TCE-RJ.

Na análise de Moraes, Ronald Pereira também deve ser condenado pelos homicídios. Já Robson Fonseca, por participação na organização criminosa, e Rivaldo Barbosa, por obstrução à Justiça e corrupção passiva.

Milícias

Em sua fala, Moraes frisou a relação dos assassinatos com a questão das milícias no estado do Rio de Janeiro e apresentou argumentos para comprovar a relação dos irmãos Brazão com os criminosos da região desde o início dos anos 2000.

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“A instrução processual, ao meu ver, comprovou a real interação da família Brazão com os chamados grupos milicianos notadamente das regiões de Jacuarepaguá, Largo do Tanque, Gardênia Azul, Oswaldo Cruz e arredores. Domingos Brazão, originário de Jacarepaguá inclusive fez dessa região, e depois seu irmão também, seu principal reduto eleitoral”, disse Moraes.

Durante seu voto, Moraes mostrou uma foto de Domingos Brazão com o miliciano Fininho Reprodução/ YouTube/ STF - 25.02.2026

O ministro apresentou, inclusive, uma imagem de Domingos Brazão acompanhado do miliciano condenado Fininho, na região de Rio das Pedras, durante campanha eleitoral.

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“Só entra em local dominado pela milícia para fazer campanha quem a milícia apoia ou quem faz parte da milícia”, ressaltou Moraes, que disse “não existir dúvidas” acerca da relação dos réus com a milícia carioca.

“Há um vínculo estável e consciente. Há uma relação direta, mas a inserção de condutas de atuação do grupo. Não tinham só contato, eles eram a milícia”, enfatizou.

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Mortes na democracia

Durante o julgamento, Moraes relacionou a morte da vereadora, em 2018, à infiltração criminosa nos parlamentos.

“A questão das mortes na democracia vem sendo muito estudada. Em recente estudo, de janeiro de 2026, é citado o número de crimes políticos com a infiltração do crime organizado nos parlamentos. Um desses casos é o caso de Marielle Franco. As democracias enfrentam desafios crescentes, ascensão da direita e infiltração do crime organizado”, afirmou.

De acordo com Moraes, durante seu voto, as ações de Marielle, na época, estavam “peitando” os interesses de milicianos e o crime evidencia “um episódio de violência política de gênero” para “interromper a atuação de uma mulher”.

“É uma mulher pobre e preta que ousou. E ela foi de encontro aos interesses de milicianos homens e brancos”, defendeu Moraes.

Violência de gênero

No voto, a ministra Cármen Lúcia citou que o julgamento a afetou psicológica e espiritualmente. Também se referiu como “soberba” achar que matar uma mulher negra e periférica poderia passar impune e ressaltou a questão de gênero presente no caso.

“Somos quase, muito parecidas com sujeitos de direito, mas ainda não temos a integridade de reconhecimento pleno. Então, matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente. É muito mais fácil. Continua sendo”, declarou a atualmente única ministra mulher do STF.

Cármen Lúcia afirmou que as mortes de Marielle e Anderson são uma “ferida que não tem cura”, mas que a condenação vem como uma resposta democrática. “O que não se conseguiu foi, ainda, assassinar o processo democrático e nem matar a resistência imperativa que se põe para que a falência institucional não predomine e que se recupere o país desse quadro”, disse.

Conflitos por controle territorial

Segundo a acusação da PGR, apresentada na terça-feira (24), Marielle foi morta por ter se tornado um obstáculo político aos interesses econômicos e eleitorais dos irmãos Brazão, especialmente no que diz respeito à exploração imobiliária ilegal e ao controle territorial por milícias na Zona Oeste.

“Por questões ideológicas, Marielle pretendia impulsionar projetos habitacionais voltados aos segmentos populacionais de menor renda, de forma sustentável, o que contrariava os interesses dos irmãos Domingos e João Francisco”, afirmou o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand.

A denúncia foi aceita pelo STF em 2024, quando os acusados se tornaram réus na Corte. A acusação tem como um dos principais pilares a colaboração premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que foi condenado a cumprir 78 anos e 9 meses de prisão pela execução do crime.

Julgamento

O segundo e último dia do julgamento sobre o assassinato da ex-vereadora do Rio de Janeiro e de seu motorista, em março de começou nesta manhã. Durante a terça-feira (24), foi feita a acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e a sustentação de defesa dos acusados.

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