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FIEMG acusa associação de atuar para manter preços de tecidos da China abaixo do valor de mercado

Federação de Indústrias de Minas Gerais quer atuação do governo federal com antidumping na venda de malhas de poliéster

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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Para federação, Associação Brasileira do Varejo Têxtil teria atuado para prejudicar mercado interno FIEMG/Divulgação - Arquivo

A FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais) criticou a atuação do governo federal na operação antidumping contra a venda de tecidos abaixo do valor de mercado pela China. Para a federação, a ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) teria atuado nos bastidores para manter os valores das malhas de poliéster em um patamar prejudicial ao mercado interno.

Por meio de nota, a federação sustenta que a investigação técnica comprovou a prática de dumping e os efeitos nocivos dela na indústria têxtil brasileira.


O dumping ocorre quando uma empresa estrangeira exporta um produto para outro país por um preço inferior ao que ela cobra dentro do próprio mercado ou até abaixo do custo de produção, a fim de eliminar a concorrência local e conquistar mercado.

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As práticas antidumping são, portanto, um conjunto de medidas adotadas pelos governos para proteger a indústria nacional contra a concorrência desleal.


“Os dados analisados ao longo da investigação evidenciam o caráter predatório dessa prática. Enquanto a China exporta malhas de poliéster para outros mercados internacionais a valores médios em torno de US$ 7,20, o produto chegou a ser comercializado por cerca de US$ 2,20 no período analisado, no caso brasileiro. Trata-se de uma diferença que não se explica por ganhos de eficiência, mas por preços artificialmente rebaixados que inviabilizam a concorrência e pressionam a produção nacional”, destaca a FIEMG.

As indústrias mineiras também argumentam que, “mesmo com evidências técnicas robustas, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil tem atuado nos bastidores para impedir a adoção do antidumping”. “Essa movimentação contribui para a manutenção de uma concorrência desleal, que fragiliza a produção nacional, compromete a cadeia da confecção e coloca em risco milhares de empregos.”


“A postura da entidade do varejo é contraditória, sobretudo porque a defesa da isonomia tributária e da concorrência equilibrada já foi, em outros momentos, uma bandeira compartilhada com a indústria. Não é coerente defender regras quando favorecem determinados interesses e rejeitá-las quando passam a proteger a produção nacional”, ressalta a nota à qual o R7 Planalto teve acesso.

Presidente da FIEMG, Flávio Roscoe acrescenta que a “ABVTEX, ao se movimentar contra a aplicação do antidumping, acaba por defender a continuidade de um comércio desleal que prejudica a indústria brasileira”. “Não é aceitável sustentar discursos diferentes conforme a conveniência. Se o produto nacional paga impostos, o importado também deve pagar. Concorrência justa não pode ser seletiva”, comenta.


A nota acrescenta que, mesmo com uma indústria brasileira capaz de atuar em patamares competitivos, “com preços em torno de US$ 2,70 a US$ 2,80”, ela “perde espaço para produtos importados que entram no país a cerca de US$ 2,00″, o que afeta a “sustentabilidade do setor”.

“O enfraquecimento dessa base produtiva compromete toda a cadeia da moda e amplia a dependência externa em um setor estratégico”, afirma a FIEMG.

O outro lado

O R7 Planalto entrou em contato com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e com a ABVTEX para pedir posicionamento sobre o assunto.

Por meio de nota, o ministério informou que, “em relação à investigação de dumping sobre importações de malhas de poliéster da China, o processo está em andamento, e o prazo legal para conclusão dele, que segue regras e padrões internacionais, é maio de 2026″.

Já a ABVTEX comunicou que acompanha o debate “com atenção” e defende que “instrumentos de defesa comercial sejam analisados com base em critérios técnicos rigorosos, transparência metodológica e avaliação abrangente dos impactos econômicos e sociais sobre toda a cadeia produtiva, o emprego, a inflação e o consumidor”.

“A ABVTEX atua e continuará a atuar de forma firme e técnica nos autos do processo antidumping em questão, considerando que, claramente, não estão presentes os requisitos técnicos para imposição da medida”, alega.

A nota da associação afirma que as malhas de poliéster são insumos essenciais para a indústria de confecção e para o comércio de vestuário no Brasil, bem como usadas em larga escala na produção de peças de moda, vestuário básico e artigos de consumo popular.

“As empresas de confecção e comércio de vestuário no Brasil se caracterizam pela elevada capilaridade e estão distribuídas por todas as unidades da Federação, com participação elevada nos empregos formais do país. Estudos técnicos apontam que a eventual aplicação de direitos antidumping pode representar aumentos relevantes no custo das malhas de poliéster, que não terão substituição plena pela produção doméstica, seja por limitações de escala, variedade, qualidade ou acabamento final.”

A associação acrescenta que a medida antidumping teria “reflexos relevantes no vestuário, tendendo a resultar na redução de vendas e consumo, razão pela qual impactos sobre o elo a jusante [das etapas finais na cadeia produtiva] devem ser avaliados sob a ótica do interesse público”.

“A ABVTEX atua institucionalmente na representação e na defesa de interesses legítimos e gerais do setor, contribuindo para o aprimoramento do ambiente de negócios da cadeia de valor têxtil no Brasil. Essa atuação é orientada por princípios de integridade, transparência e estrita observância à legislação aplicável, por meio de iniciativas de caráter geral e institucional”, completa a nota.

A instituição reforça que, ao longo do tempo, construiu, junto à indústria, avanços estruturantes para o setor de moda brasileiro, “especialmente no fortalecimento da governança da cadeia produtiva, na promoção de boas práticas socioambientais e na mitigação de riscos sociais e reputacionais”.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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