Logo R7.com
RecordPlus
R7 Planalto

Resposta calibrada: Lula não joga o Brasil no jogo de Trump

Nos bastidores do governo, a ordem é ficar atento à crise entre Brasil e EUA, mas responder com política, não com impulsos

R7 Planalto|Luiz Fara MonteiroOpens in new window

  • Google News
Resposta de Lula a Trump levou em consideração a economia brasileira, segundo bastidores Ricardo Stuckert / PR

O governo brasileiro decidiu como vai responder Donald Trump no caso da tarifa de 50%, com o que considera seu ativo mais estratégico nesta crise: política. Nem bravata, nem retaliação. E, mais do que isso, uma recusa a transformar o Brasil em peça de um tabuleiro eleitoral alheio.

A decisão do presidente americano não foi exatamente uma surpresa no Planalto. Como confidenciou uma fonte com acesso direto às conversas presidenciais, “nada do que foi divulgado ontem foi realmente novo”.


O processo de negociação comercial com os EUA vinha se arrastando desde abril. O próprio MDIC e o Itamaraty já mantinham interlocução com Washington sobre o tema.

A novidade, no entanto, está na motivação.


“Não há tema comercial que justifique essa medida. A questão agora é política — e mais grave: ligada ao processo democrático brasileiro”, diz a fonte.

Para o governo Lula, a carta enviada por Trump à embaixada brasileira — exigindo, em caixa alta, o fim dos processos contra Jair Bolsonaro como condição para manter relações comerciais — representou mais do que um rompante diplomático.


Uma tentativa direta de interferência em assuntos internos. “É como se dissesse: ou vocês param o julgamento de Bolsonaro ou terão prejuízos econômicos.”

Esse ponto tornou a resposta inevitável. Mas, como explicou a mesma fonte, o tom foi cuidadosamente calibrado. “Não vamos tomar medida que prejudique ainda mais a economia brasileira. Não faria sentido reciprocidade como um todo. Temos que dar resposta sem criar problemas adicionais ao Brasil.”


“Esse é um embate político. Não é questão relacionada a comércio. Estamos num debate político contra a extrema-direita. Não é Brics. Isso é distração. Está claro que a questão aqui são as eleições presidenciais de 2026, é aí que ele quer chegar. Mas não vamos abdicar”, considera a fonte.

Comércio e democracia

No curto prazo, o governo entende que o impacto direto será limitado. O Brasil não é altamente dependente do mercado americano. No entanto, a movimentação acendeu o alerta estratégico: fortalecer o Mercosul, aprofundar relações com União Europeia e explorar alternativas de mercado se tornaram tarefas ainda mais urgentes.

Nesse momento, a palavra-chave é sobriedade. Lula não fará pronunciamento precipitado. Ainda se analisa qual medida será tomada, e se ela será tarifária, regulatória ou vinculada a temas como propriedade intelectual.

A lógica, diz a fonte, não será a do confronto total. “A carta de Trump foi de capitulação. A nossa resposta será de Estado.”

Por trás da reação contida está também um princípio inegociável: a independência do Judiciário. Como define um interlocutor do Planalto, discutir o processo contra Bolsonaro como moeda de troca seria “como se Lula descesse a rampa do Planalto e entregasse a chave do país”.

Internamente, o governo entende que venceu a narrativa nas redes sociais. “O bolsonarismo ficou emparedado.”

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.