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Sete em cada dez brasileiros sentem mais raiva da política do que esperança, mostra pesquisa

Dados são de levantamento feito pela Fundação João Mangabeira, ligada ao PSB, e revelam contradições do eleitor brasileiro

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Sete a cada dez brasileiros sentem mais raiva do que esperança em relação à política, segundo pesquisa da Fundação João Mangabeira.
  • A pesquisa revela contradições no eleitorado, como a crença na democracia, mas o desejo por um líder forte e independente do Congresso.
  • O estudo destaca a exaustão e o pragmatismo dos brasileiros, que votam mais por inércia do que por adesão ideológica.
  • A confiança nas instituições é baixa, com 74% dos brasileiros achando que o Congresso representa mal o povo e 52% desconfiando do STF.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Eleitor brasileiro vive contradições ao analisar cenário político do país Antonio Cruz/Agência Brasil - arquivo

Sete em cada dez brasileiros sentem mais raiva do que esperança da política, segundo pesquisa da Fundação João Mangabeira, publicada no livro O novo perfil eleitoral do Brasil: como pensa e como vota o brasileiro. O instituto é ligado ao PSB e ouviu 2.242 pessoas em uma análise quantitativa e qualitativa, com apoio de 30 especialistas na análise dos dados.

O levantamento revela que 75,3% dos brasileiros reconhecem a desigualdade como problema grave do país; 55,8% ainda acreditam no mérito individual; 75% acreditam na democracia como principal modelo; 59,8% desejam um líder forte e mais independente em relação ao Congresso.

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A análise feita pelos especialistas convidados para discorrer sobre os dados é a de que “mais do que um voto automático ou homogêneo”, o novo eleitor é alguém “que interpreta a política através de uma disputa ética sobre ordem, valores e reconhecimento”.

“O eleitor está cético em relação à política, mas demanda desesperadamente a presença do Estado”, cita um trecho do livro.

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A análise foca em três eixos principais: o do jovem que quer a dignidade da autonomia (com ferramentas do Estado, mas sem interferência do governo); a mulher chefe de família que quer a dignidade do cuidado (com suporte logístico em creche, saúde, segurança, mas não esmolas); e o evangélico que quer a dignidade do reconhecimento (um Estado que pare de tratar sua fé como atraso).

A conclusão da obra organizada por Carlos Siqueira é que os brasileiros estão unidos pela “exaustão e o pragmatismo de sobrevivência”. “O que desune é a polarização afetiva que transformou o adversário em inimigo íntimo”, cita.

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Parte da frustração da nova geração, por exemplo, é o fato de o diploma não garantir mais ascensão social. “Em essência, trata-se de um cidadão descrente, desmotivado, inserido em um vácuo crônico de representatividade, que vota menos por uma adesão ideológica estrita e muito mais por inércia ou pragmatismo defensivo”, avalia o estudo.

Hoje, 48% acreditam que o emprego com carteira assinada é o melhor tipo de trabalho, enquanto 47% discordam. Entre os jovens, a rejeição ao modelo CLT chega a 57%.

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“Para o jovem plataformizado, a segurança do CLT é decodificada como estagnação e submissão hierárquica, enquanto a precarização é rebatizada de ‘potência’ e ‘empreendedorismo’”, observa.

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Congresso não representa o povo

A pesquisa ainda mostra que 74% dos brasileiros acham que o Congresso Nacional representa mal o povo. A crise institucional atinge também o STF (Supremo Tribunal Federal) — em que 52% dos brasileiros não confiam na Corte — e o governo federal, em que apenas 18,2% sentem que o governo está presente em seu bairro.

Sobre Lula e Bolsonaro, 55% dos entrevistados consideram correta a prisão de Lula, e 57% correta a prisão de Bolsonaro. A polarização, no entanto, ainda gera conflitos: 74,2% evitam falar de política para não causar brigas.

Ainda assim, 74% dos eleitores têm orgulho do povo brasileiro e 50,2% creem que o Brasil é o país do futuro. Outro discurso polarizado é o dos direitos humanos: 43,4% acredita que os direitos humanos só protegem bandidos. Ao mesmo tempo, a maior parte da população (67,4%) enxerga como ineficaz uma política de armar as pessoas para reduzir a criminalidade.

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