Entenda o que é o languishing, sentimento comum na pandemia

Especialistas criaram o termo para definir o medo e a sensação de desamparo causados pelo novo coronavírus

"Estamos aí, vivendo um dia após o outro. Vamos levando", disse uma senhora que parecia estar desanimada. Ela pediu para que seu nome não fosse divulgado e também afirmou não estar deprimida, foi a pandemia que tirou o brilho dos seus olhos.

Com tantas mudanças que tivemos que enfrentar por conta do novo coronavírus, muitas pessoas estão como ela, sem ânimo, com problemas para se concentrar nas tarefas do dia a dia, vivendo as incertezas que a doença trouxe.

Esse comportamento tem se tornado frequente e chamou atenção do sociólogo americano Corey Keyes e do psicólogo organizacional norte-americano, Adam Grant. Eles perceberam que há um sentimento comum neste período, que não pode ser caracterizado como depressão ou burnout, assim, eles o nomearam de languishing, que na tradução literal para o português significa definhando. Mas, segundo a especialista em comportamento, Leila Navarro, o termo pode ser traduzido por desamparo ou desalento.

Especialistas criaram termo para definir queixa comum na pandemia

Especialistas criaram termo para definir queixa comum na pandemia

Joice Kelly/Unsplash

"Depois de um longo período de lockdown, de um confinamento forçado, é comum que alguns sintam uma falta de ânimo, uma tristeza, um pesar diferente, que não é como a depressão.  É um sentimento que veio com essa pandemia, que gerou, em muitas pessoas, essa falta de empolgação com a vida e uma certa dificuldade de se concentrar nas tarefas do cotidiano", analisa.

Além disso, a especialista destaca que o distanciamento também colabora para o surgimento desse sentimento. "Você vê uma pessoa querida e não pode abraçá-la. Uma das nossas características como ser humano é sermos sociais. Não poder nos relacionar, estar próximos, têm grande influência para gerar esses sintomas do languishing, que é apenas mais uma das consequências do isolamento social ao qual fomos subitamente obrigados a passar", acrescenta.

Incerteza e medo do futuro

No artigo publicado no jornal americano The New York Times, o psicólogo Adam Grant explica que, no início da pandemia, o cérebro ativou o sistema de proteção e de detecção de ameaças e passou a funcionar em alerta máximo. Depois, com as medidas de prevenção, o funcionamento cerebral passou do "estado de alerta" para esse sentimento que está sendo definido por languishing, em que não há sintomas de doença mental, mas uma diminuição considerável da motivação.

Ao mesmo tempo, com o aumento das taxas de vacinação e a esperança do retorno à "vida normal", os especialistas têm observado que para combater o languishing é preciso investir no flourishing, termo que na tradução para o português significa florescer. 

O languishing não chega a ser uma depressão. Mas, para vencê-lo é preciso mudar a forma como se enxerga a vida

O languishing não chega a ser uma depressão. Mas, para vencê-lo é preciso mudar a forma como se enxerga a vida

Pixabay

Superando o que paralisa

No cenário de discussão sobre como ficará o mundo pós-pandemia, ainda está tudo muito incerto. Mas, no que tange a vida emocional é preciso que haja decisão e certeza, uma vez que não se pode deixar que as circunstâncias gerenciem as emoções. Afinal de contas, a vida é uma montanha-russa, uma hora se está em cima, outra em baixo.

Hoje estamos vivendo esta pandemia, amanhã poderemos enfrentar outra crise mundial. A verdade é que não sabemos como será o dia de amanhã. Por isso, para vencer o medo do que não podemos controlar é preciso aprender a seguir em frente, sem depender das emoções.

"Nesse contexto, é extremamente importante ser racional. A razão nos auxilia a controlar os sentimentos. Além disso, aconselho as pessoas a criarem novas rotinas. Dormir e acordar no mesmo horário, ter dias certos para fazer atividades físicas, ter horário para trabalhar, almoçar e descansar... A rotina nos protege e é extremamente importante para o equilíbrio de todas as áreas", conclui a especialista em comportamento, Leila Navarro.

Não devemos guiar a nossa vida pelo que vemos ou sentimos. Precisamos aprender a enxergá-la com otimismo, independentemente das circunstâncias.

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