Fim da obrigatoriedade de máscara ao ar livre pode estar próximo
Com o número de casos de covid-19 diminuindo no país, ministro da Saúde deve recomendar flexibilização do uso em lugares abertos
Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury|Do R7 e Ana Carolina Cury
Ela talvez tenha se tornado um símbolo da pandemia. Muitas brigas políticas aconteceram por conta do seu uso. Ao mesmo tempo, enquanto cientistas e especialistas buscavam estudar sua eficácia, personalidades e autoridades se aproveitaram dela para manipular, censurar e coagir.
Estamos falando da máscara como equipamento de proteção contra a covid-19. Diversas entidades afirmam que não há evidências sobre sua efetividade e que ela poderia ocasionar problemas de saúde, mas muitas outras a defendem.

De qualquer forma, países estão deixando de usá-la. Aqui no Brasil, segundo informações que foram divulgadas, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga prevê que, se o número de casos e de mortes por covid-19 continuar caindo no país, antes do fim do ano não seremos obrigados a usar máscara ao ar livre.
Apesar disso, os Estados terão o poder de acatar ou não. Alguns governadores, inclusive, se mostraram duros em relação a defesa e fiscalização do uso, como João Doria, por exemplo, que emitiu muitas multas para diversos políticos que não usaram a proteção.
Hipocrisia?
É curioso lembrar que não só João Doria, como também muitos outros políticos e celebridades que defenderam em frente das câmeras "a unhas e dentes" o uso do equipamento de proteção, já foram flagrados sem máscara. Você deve se recordar que o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), foi fotografado em uma roda de samba, em maio deste ano. E, apesar de dizer que era loucura andar sem máscara, o gestor estava sem ela no dia do evento, em meio a uma aglomeração.
Outro ponto que precisamos analisar é que, em novembro do ano passado, uma pesquisa realizada na Dinamarca e publicada na revista Annals of Internal Medicine do American College of Physicians com mais de 6 mil pessoas revelou que há pouquíssima diferença no que se refere à infecção entre quem usou e quem não usou máscara. Além disso, muitos médicos alertam sobre os riscos de se usar máscaras para praticar exercícios físicos.

Ao mesmo tempo, pesquisadores da UFRJS afirmaram o contrário e pontuaram que o uso de máscaras pode reduzir em 87% a chance de infecção.
Então, a questão não é sobre usar ou não usar o equipamento de proteção, mas sim refletir sobre como muitos usaram as informações tão difusas a seu favor, fazendo um verdadeiro palco político. Afinal, é sabido que a máscara produziu uma sensação de segurança naqueles que estavam com medo de contrair o vírus e que passavam horas e horas se alimentando de notícias sobre o tema. Somado a isso, a obrigatoriedade fez com que mudanças comportamentais surgissem na sociedade.
Outro dia, ouvi de uma pessoa a seguinte frase: "Tenho medo de andar pelas ruas sem máscara, acho que vou continuar usando, mesmo quando não for obrigatório". Eu não vejo problema nenhum em alguém decidir usar máscara porque quer, a questão é fazer isso guiado pelo medo e por informações nada precisas.
A verdade é que a escolha pela manutenção de um estado de pânico é interessante para aqueles que querem se beneficiar."E se, em vez da obsessão por máscaras (que, como vimos, são pouco eficazes e levam a uma sensação de falsa segurança), houvesse campanhas para evitar ambientes fechados não ventilados? Quantos eventos de transmissão de covid-19 teriam sido prevenidos e quantas vidas teriam sido poupadas?", questionou doutor em Genética Molecular pela Universidade de Tel-Aviv, Beny Spira.
Vale a pena pensar no que foi feito até aqui no que se refere a pandemia. Ainda há muitas perguntas em aberto sobre atitudes que foram e que estão sendo feitas "em nome do povo". Uma delas diz respeito a obrigatoriedade do uso de máscaras no Brasil, será que ela realmente auxiliou a população ou foi apenas mais uma ferramenta de manipulação em busca de poder político?















