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Refletindo Sobre a Notícia

O que a atitude dos bandidos que mataram o ciclista está gritando e ninguém está ouvindo

Crime comoveu o país, expôs falhas na segurança pública e escancarou o silêncio das autoridades

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Amigos prestam uma homenagem ao ciclista Vitor Medrado, que morreu após ser baleado em frente ao Parque do Povo, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO — 14.02.2025

Sem esboçar nenhuma reação, foi morto. Uma frase revoltante e que se tornou realidade na manhã da última quinta-feira (13), por volta das 6h, quando o ciclista Vitor Felisberto Medrado, de 46 anos, foi abordado por dois assaltantes na Rua Brigadeiro Haroldo Veloso, em frente ao Parque do Povo, no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo.

Os criminosos chegaram atirando, sem sequer dar tempo para Vitor entender o que estava acontecendo. Com seu corpo caído no chão, os bandidos levaram apenas um celular. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.


Como acontece com frequência, os criminosos não foram localizados. E, horas depois, utilizando uma moto com a mesma placa do veículo envolvido no crime anterior, atiraram contra um motociclista de 27 anos na Rua Ribeiro do Vale, no Brooklin. Ele caiu e foi atropelado por um carro que passava pelo local. O rapaz foi socorrido pelo helicóptero Águia da Polícia Militar e levado ao Hospital das Clínicas, onde permanece internado.

A Polícia Civil investiga a possível ligação entre os dois casos, dada a semelhança nas características dos latrocínios e o uso da mesma motocicleta.


Quanto vale a sua vida?

Paulistanos e brasileiros cobraram uma posição da prefeitura e do governo do estado durante todo o dia de ontem. E quando entramos nas redes sociais das autoridades em questão, o que encontramos? Publicações de Carnaval, declarações amorosas realizadas após a morte… e nenhuma manifestação sobre a barbaridade ocorrida.

Não sabemos se essa ausência partiu da assessoria de comunicação ou dos próprios governantes, mas o fato é que as pessoas – sobretudo os familiares das vítimas – esperaram por um posicionamento. E não tiveram. Uma falha grande.


Saber ser criticado

Isso não é sobre esquerda ou direita, partido A ou B. É um absurdo que, diante de eventos tão graves, as principais autoridades do estado e do município tenham permanecido caladas.

O silêncio do prefeito Ricardo Nunes e do governador Tarcísio de Freitas nos deixou sem respostas. Essa omissão é preocupante, especialmente porque, em suas campanhas, ambos – assim como todos os políticos que querem se eleger – fizeram mil promessas para melhorar a segurança do povo.


E não apenas eles. É pertinente lembrar declarações anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sugeriu que crimes poderiam ser justificados. Embora seja crucial compreender as raízes da criminalidade, essas afirmações podem ser interpretadas como uma minimização da gravidade dos atos violentos, o que é inaceitável diante de tragédias como as ocorridas.

Se nada for feito com esses criminosos, outros vão achar que podem repetir e o ciclo de violência só vai aumentar.

Punição gera medo

Lembra quando não era obrigatório o uso de cadeirinhas para crianças no banco de trás dos carros? Uma comparação pequena, mas que diz muito. Hoje, os motoristas sabem que podem ser multados se não tiverem, e muitos só compram a cadeirinha para evitar a punição.

Isso mostra que sem punição, não há mudança. E ficar calado diante desses eventos demonstra conivência. É preciso que haja um apelo para mudança estrutural e conjuntural da sociedade para que a criminalidade se torne cada vez menos uma opção para os mais pobres. Mas uma coisa não pode anular a outra.

Precisamos de respostas

Não estamos preocupados com o Carnaval. Queremos poder sair de casa sem precisar ter medo de ser assaltados e mortos na próxima esquina por causa de um celular ou uma aliança.

É fácil mudar essa realidade? Claro que não. Mas não será focando no Carnaval que teremos qualquer avanço. Precisamos de ação, não de palavras.

Exigimos líderes que tenham a política como propósito, não como cargo, não como fonte de popularidade, de poder ou de soberba.

Precisamos, sim, cobrar. E é nosso papel, como jornalistas, elogiar quando há mérito e criticar quando há erro. E o bom político sabe ser corrigido quando precisa.

Isso não é partidarismo. É realidade. É necessidade.

Não contamos com escolta. Vivemos a realidade das ruas, e essa realidade precisa urgentemente de um cuidado maior.

Não estamos em ano eleitoral, mas estamos de olho, sim, no que cada pessoa que elegemos está fazendo pelo bem comum, pela vida das pessoas.

Postura e atitude. A sociedade clama por respostas e ações efetivas que garantam a segurança de todos.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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