Avicultores descartam poedeiras para reduzir a excessiva oferta de ovos no mercado
Avicultores despejam 1.800 ovos por segundo no mercado brasileiro. Um recorde que fez os preços desabarem

A produção de ovos no Brasil é recorde este ano. Estima-se que em 2024 os avicultores brasileiros produzam em 1.800 ovos por segundo, aumento de 8,5% sobre a produção do ano passado. Ou, como aponta a Associação Brasileira de Proteína Animal, a ABPA, algo como 57 bilhões ovos ofertados no mercado. Com esse volume, os preços recuaram nos últimos seis meses.
Para reverter a queda nos preços mais altos, os avicultores já iniciaram este mês a redução do alojamento de aves, diminuindo a oferta de ovos, alterando preços no mercado atacadista. Não chegou ao varejo, mas vai chegar.
Na Grande São Paulo, no início do mês os varejistas ainda vendiam ovos brancos entre R$ 8,99 a até R$15,00 a dúzia, com preços variando conforme o tipo de ovo e região. Mas os preços devem subir um pouco mais.
Com a oferta agora mais restrita, os preços sobem no atacado. Se no dia 4 de outubro, em Bastos (SP), região que concentra a maior produção nacional, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos era negociada a R$ 117,16, menos de uma semana depois saltava para R$ 126,19. No mesmo período, na Grande São Paulo, o preço da caixa saltava de R$ 125,71 para R$ 133,27, alta de 6%, segundo dados do Cepea/USP, apurados diariamente no mercado atacadista.
O maior aumento foi observado no atacado de Santa Maria de Jetibá (ES). Entre a primeira e a segunda semana de outubro, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos que estava em média a R$ 115,53 avançou para R$ 126,04, um aumento próximo de 9%.
Por que o ovo fica mais caro agora?
Os bons preços pagos ao granjeiro em fevereiro e março estimularam a produção e a oferta de ovos cresceu. Mas o consumidor não absorveu a quantidade recorde gerada pelos avicultores e os preços recuaram seguidamente a partir de abril.
Nos últimos seis meses, enquanto os preços cediam nas granjas, os preços do milho — principal insumo para a criação — subiam, como destacou José Roberto Bottura, diretor técnico da Associação Paulista de Avicultura, a APA. Sem alternativas, o produtor decidiu pelo abate de aves.
“Diante das sucessivas desvalorizações nas cotações dos ovos, os preços estavam recuando há seis meses (devido principalmente à produção elevada). Nesse cenário, alguns agentes relataram que anteciparam os descartes de poedeiras para controlar a oferta”, constatou Claudia Scarpelin, pesquisadora do Cepea/USP.
E o descarte de poedeiras vai continuar. O produtor de ovos deve reduzir o alojamento entre 15% e 20% pelo menos até o final do ano. “É comum ocorrer essa diminuição no alojamento nesse período, pois no final do ano normalmente a demanda por ovos é menor”, lembra a avicultora Cristina Nakano, presidente do Sindicato Rural de Bastos (SP).
O pagamento dos salários justifica parte dessa alta na primeira semana de outubro. “Esse aumento na demanda no início do mês é típico do setor”, diz Scarpelin, explicando uma das razões da alta.
Para ela, “hoje a oferta dos ovos está ajustada e a demanda apresentou uma melhora. Então a tendência é de que os preços continuem nestes patamares”. Talvez no atacado... Varejo é diferente.
Colaborou Lucas Limão















