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Produtor rural deve emitir nota fiscal eletrônica a partir de 1º de maio

Produtores insistem em prazo maior, mas adiamento está praticamente descartado pelo Confaz

Trilha do Agro|Do R7 e Valter Puga Jr

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O não cumprimento pode, inclusive, gerar “problemas” e multas
O não cumprimento pode, inclusive, gerar “problemas” e multas Tomaz Silva/ Agência Brasil/Arquivo

A partir do próximo 1º de maio o produtor rural passará a emitir nota fiscal pelo sistema eletrônico, a NFP-e. E como não há — até agora — sinalização dos órgãos governamentais de um adiamento dessa exigência, como ocorreu no ano passado, é aconselhável se preparar para a mudança. Ou seja, se preparar para o fim da nota fiscal preenchida a mão, aliás o que vem sendo implementado lentamente desde 2005 em todo o país. O não cumprimento pode, inclusive, gerar “problemas” e multas.

Como ainda há dificuldades no campo para conexão via internet, o que, aliás, ocorre em boa parte do país, representantes dos produtores rurais tentam prorrogar mais uma vez a adequação do produtor ao novo sistema.

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No caso de São Paulo, por exemplo, a Federação de Agricultura defende a prorrogação sob o argumento que 88% dos imóveis rurais são ocupados por pequenos produtores ou produtores da Agricultura Familiar que ainda encontram dificuldade para aderir ao novo sistema. E mais: que dos cerca de 360 mil produtores rurais do estado, estima-se que apenas 4% deles estariam conectados na rede. O desafio é grande e há outras dificuldades.

Para emitir a NFP-e o produtor rural deve providenciar a certificação digital pelo e-CNPJ, possuir equipamentos como computador ou telefone celular, impressora, dispor de internet e ter instalado no seu sistema o programa que permite o preenchimento e a emissão do documento fiscal.

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Até aí, como se sabe, custos que recaem sobre todos os contribuintes, sejam empresários da indústria ou do comércio, prestadores de serviços, ou pessoas físicas, ou jurídicas, o que não exclui o produtor rural. 

Mas há nas atividades do campo características diferenciadas de produção e venda, quando comparados aos demais setores da Economia. A maior parte dos produtores está distante dos centros urbanos (não há um órgão do governo ou um contador do outro lado da porteira) e tem pouco conhecimento para lidar com programas ou aplicações digitais.

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Fora isso, “a dinâmica das operações no campo, principalmente dos produtores de frutas, hortaliças e flores é complicada”, lembra Érica Monteiro Barros, agrônoma com 20 anos de atuação no Departamento de Economia da FAESP.

Produtores rurais de hortaliças e frutas têm volumes diários de venda, muitas vezes expedidos em horários noturnos e nos fins de semana, formados por produtos variados, destinados a clientes diferentes, exigindo agilidade na emissão das notas.

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“Por isso, em São Paulo a FAESP mobiliza sindicatos de produtores rurais e orienta nesse processo de adequação, para a emissão de notas fiscais eletrônicas, de modo a dirimir dúvidas e reduzir os custos do processo para os produtores”, explica Érica.

PEDIDO DE NOVA PRORROGAÇÃO

Na primeira semana de abril, em São Paulo, a FAESP terá reunião com técnicos e dirigentes da Sefaz/SP para buscar outras alternativas, além da prorrogação, que possibilitem ao pequeno produtor a emissão da NF-e, suprindo a falta de recursos, de infraestrutura e de conectividade no campo. Há propostas como a do estado do Rio Grande do Sul, que criou a Nota Fiscal Fácil (a qual São Paulo não aderiu), mas que além de “elogios” tem recebido críticas. Unificar processos de informatização não é fácil, principalmente em se tratando de taxas e impostos. 

Mas o CONFAZ, o Conselho Nacional de Política Fazendária, que reúne os Secretários de Fazenda, Finanças ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal, mostra-se firme na implementação da mudança a partir de 1º de maio, salvo decisão contrária na próxima reunião em 12 de abril. De qualquer modo, diz o bom senso, o produtor deve se preparar.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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