Dino cita fala de líder da Suprema Corte dos EUA ao votar pelo não acolhimento de preliminares
Ministro criticou tentativa de polarizar os tribunais no julgamento por suposta tentativa de golpe de Estado, retomado na tarde desta terça-feira (25)
Conexão Record News|Do R7
Na retomada do julgamento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por suposta tentativa de golpe de Estado, nesta terça-feira (25), o ministro Flávio Dino citou manifestação do líder da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts, sobre a importância da preservação da independência judicial e da imparcialidade por toda sociedade.
“Sua Excelência fez questão de dizer que as discordâncias contra decisões judiciais são normais, porém têm exatamente uma resposta normal que não a tentativa de eventualmente sancionar os tribunais e os juízes em face de discordâncias”, pontuou Dino.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) criticou a tentativa de “polarização dos tribunais”, afirmou que “esse Judiciário é algo pelo qual todos nós deveríamos ser gratos” e concluiu seu voto pelo não acolhimento das preliminares das defesas, que pediu para que a Corte declarasse o colegiado da Primeira Turma impedido de julgar o caso.
Julgamento de Bolsonaro e aliados no STF
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) iniciou, nesta terça-feira (25), o julgamento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras sete pessoas na suposta tentativa de golpe de Estado.
A análise, que deve acontecer até esta quarta-feira (26), avaliará apenas o mérito da denúncia, verificando se há indícios suficientes para que a ação penal seja levada adiante. Se for aceita, os envolvidos viram réus e passam a responder a um processo criminal.
O julgamento está previsto para ocorrer em três sessões: duas nesta terça, às 9h30 e às 14h, e a terceira na quarta, às 9h30. Entre os principais pontos do rito estão a leitura do relatório do relator, o ministro Alexandre de Moraes, a sustentação oral do
procurador-geral, Paulo Gonet, além das sustentações orais das defesas dos acusados.
O grupo julgado nesta terça-feira é considerado o núcleo central da suposta trama golpista com a liderança do ex-presidente, e inclui o general Walter Braga Netto, ex-ministro e vice na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022; o tenente-coronel Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens da presidência; o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; e o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa.
A denúncia que o STF julga acusa os suspeitos de liderança de organização armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Para o julgamento, a Corte reforçou o policiamento e restringiu o acesso aos prédios e anexos do Supremo, além de suspender os julgamentos de outras turmas do tribunal. Nesta segunda-feira (24), uma varredura antibombas foi realizada no local.
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