Advogada é presa após esconder documentos de idosa morta há sete anos no Rio
Polícia encontrou certidão de óbito, identidade e bens em apartamento no Cacuia; mulher já responde por 16 crimes ligados ao patrimônio da vítima
Rio de Janeiro|Do R7
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Uma advogada de 35 anos foi presa em flagrante na sexta-feira (2) por ocultação de documento público durante uma operação da 37ª DP (Ilha do Governador), no apartamento onde mora, no Cacuia, zona norte do Rio de Janeiro. Jéssica Cabral Barradas é investigada por supostos desvios do patrimônio de uma idosa de 90 anos, que morreu em julho de 2019 e havia sido sua curatelada.
Durante a busca, os policiais encontraram a certidão de óbito e a carteira de identidade originais da idosa. Segundo a investigação, o filho da vítima cobrava há anos a devolução dos documentos, mas a advogada afirmava que eles estavam guardados em caixas.
A retenção teria dificultado a abertura do inventário e a regularização da sucessão. Para acionar o seguro de vida da mãe, o herdeiro precisou solicitar uma segunda via da certidão de óbito, obtida somente em 2023.
O celular da advogada, que também deveria ser apreendido por determinação judicial, foi localizado após mais de uma hora de buscas. O aparelho estava escondido dentro do ralo do banheiro. De acordo com os policiais, Jéssica teria colocado o telefone no local para impedir que fosse encontrado. O dispositivo será submetido à extração de dados.
Além dos documentos, os agentes apreenderam equipamentos eletrônicos, joias e talheres banhados a ouro. Na delegacia, o filho da idosa reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. Os objetos serão periciados e avaliados antes de serem devolvidos ao herdeiro.
Segundo a investigação, Jéssica era vizinha da idosa, no Cocotá, e se aproximou da mulher, que morava sozinha e recebia pensão militar e benefício do INSS. Em 2014, ela foi nomeada curadora pela Justiça e passou a administrar os interesses e o patrimônio da idosa. A apuração aponta que parte dos recursos teria sido transferida para a conta pessoal da advogada.
Os investigadores também identificaram movimentações bancárias realizadas depois da morte da pensionista. Conforme o inquérito, seis dias após o óbito houve uma transferência da conta da idosa para Jéssica, seguida de um saque. Também foram encontradas compras realizadas com o cartão da vítima no ano seguinte à sua morte.
Jéssica já responde na Justiça por 16 crimes relacionados ao patrimônio da antiga curatelada: 12 acusações de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas. As acusações também envolvem supostas irregularidades nas prestações de contas referentes à administração dos recursos da vítima.
O filho da idosa também relatou à polícia que, apesar das cobranças, os documentos originais nunca foram devolvidos. Em determinado momento, a advogada chegou a enviar fotografias dos papéis, o que, segundo a investigação, demonstraria que sabia onde eles estavam.
Jéssica foi autuada em flagrante por ocultação de documento público, crime previsto no artigo 305 do Código Penal. A ação foi acompanhada por representantes da OAB/RJ. Segundo o relatório de vida pregressa consultado pelos investigadores, a advogada também possui registros relacionados a outros crimes, incluindo coação no curso do processo, perseguição, furto, ameaça e falsa identidade.
Após os procedimentos na delegacia, ela será encaminhada à Justiça. Os aparelhos eletrônicos apreendidos passarão por análise, enquanto os objetos reconhecidos pelo filho da vítima serão submetidos à perícia. A investigação continua na 37ª DP.
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