Após ser atingido por mais de 40 tiros, espaço cultural de ONG no Jacarezinho pode cancelar inauguração
Voluntários e alunos do Aquário de Música, da Rio de Paz, temem frequentar espaço
Rio de Janeiro|Do R7*, com Agência Brasil

A possibilidade de os alunos e voluntários do espaço Aquário de Música deixarem de frequentar o espaço da ONG Rio de Paz por medo pode ser a principal dificuldade da organização em começar a oferecer as atividades culturais aos jovens do Jacarezinho, comunidade da zona norte. O espaço foi atingido por mais de 40 tiros na manhã desta segunda-feira (21) e estava prestes a ser inaugurado.
No confronto entre PMs da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) e traficantes da região, o espaço foi atingido por mais de 40 tiros. Segundo o presidente da Ong, Antônio Carlos da Costa, os voluntários estão abalados e o sentimento é de frustração.
— Nós ainda não tomamos as decisões finais. O primeiro passo é restaurar a sede, a partir de quarta-feira e mensurar como isso atingiu a vida dos alunos. Tememos que os pais relutem em enviar as crianças.
O presidente também afirmou que os voluntários que trabalhariam na escola não devem ficar constrangidos em abandonar o projeto por precaução com sua integridade física. Costa também diz acreditar que os tiros que atingiram a escola não foram retaliação ou de propósito.
— Nós também estamos muito aflitos da possibilidade de durante uma aula haver um tiroteio. É uma frustração imensa. O projeto tinha tudo para dar certo, mas eu, por exemplo, não vou sair de lá. O Estado precisa compreender que não vai pacificar o Rio de Janeiro enquanto não houver diminuir a desigualdade.
A Unidade de Polícia Pacificadora do Jacarezinho foi inaugurada em 16 de janeiro de 2013 e atende a mais de 36 mil habitantes, segundo dados do Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da prefeitura do Rio. O Complexo do Jacarezinho é formado por um conjunto de favelas, que, devido ao tamanho, acabou se transformando em bairro.
* Colaborou Victor Sena, do R7 Rio















