Atletas dizem à polícia que mentiram para salvar namoro de Lotche e encobrir bebedeira
Polícia investiga falsa comunicação de crime e dano ao patrimônio
Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7

A Polícia Civil do Rio de Janeiro ainda não sabe o que teria motivado os nadadores americanos a inventarem o assalto sofrido na saída de uma festa, na zona sul do Rio, no último sábado (13). Mas o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, não descarta a hipótese de que Ryan Lochte e outros três nadadores americanos tenham mentido para encobrir o fato de estarem no evento com mulheres.
De acordo com os investigadores, um taxista se apresentou à polícia e contou que buscou duas meninas na saída da mesma festa em que estavam os nadadores. As jovens teriam comentado durante a viagem que ficaram os atletas.
Ao R7, Fernando Veloso falou que a motivação não é relevante para a investigação. Mas que os atletas Gunnar Bentz e Jack Conger ouvidos na tarde desta quinta apresentaram duas situações: mentiram para salvar o relacionamento do Lotche e porque não poderiam ter se envolvido em farra com bebidas e não queriam se complicar com o COI (Comitê Olímpico Internacional).
O delegado titular da Deat (Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo), Alexandre Braga, também afirmou que o que motivou os atletas a mentirem não é o mais importante.
— O que importa é que eles produziam uma história inverídica. Os próprios colegas refutaram a versão. Se houve circo, não é nosso.
Os nadadores Gunnar Bentz e Jack Conger prestaram depoimento nesta quinta-feira na Deat (Delegacia Especial de Atendimento ao Turista). Ryan Lotche retornou ao Estados Unidos nesta semana. Por volta das 19h30, a polícia confirmou que o quatro nadador envolvido no caso, James Feigen, prestava depoimento, mas a pedido da defesa do atleta o local não foi revelado.
Um dos nadadores norte-americano, impedido de embarcar para os Estados Unidos na noite de quarta-feira (17), confirmou em depoimento à polícia nesta quinta que os atletas não foram assaltados e que promoveram vandalismo dentro do banheiro de um posto de gasolina.
Segundo o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, um dos nadadores atribui as "condutas extremas" a Ryan Lotche — que já voltou aos Estados Unidos — e que na noite do incidente "estava muito exaltado por estar sob efeito de bebida alcoolica".
Depoimentos de testemunhas que estavam no posto de gasolina e imagens de câmera de segurança confirmam que os atletas mentiram que foram vítimas de assalto. Veloso afirmou que as investigações ainda não foram concluídas e que, em tese, os atletas podem responder por falsa comunicação de crime e por dano a patrimônio. Segundo ele, se confirmados, esses delitos não levariam à prisão dos autores.
Segundo o Veloso, as investigações apontam que Lotche tenha sido o articulador da falsa narrativa. A polícia já está em contato com FBI, a polícia norte-americana, para que Lochte preste depoimento às autoridades nos Estados Unidos.
Veloso disse que não vê necessidade de manter os passaportes dos nadadores apreendidos, porque eles se apresentaram para depor. Entretanto, o chefe de polícia pondera que é a Justiça que deve decidir sobre o impedimento de os atletas deixarem o País.















