Avô tentava ter a guarda de criança morta com a família dentro de casa no Recreio: 'Matou a mim também'
O pai, Alexsander da Silva, foi preso como principal suspeito do crime cometido na zona oeste do Rio
Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7, com Felipe Batista, da Record TV Rio

O avô materno de Maria Eduarda, de 10 anos, morta com a família dentro de casa, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, tentava desde 2014 obter a guarda da menina. O pai dela, Alexsander da Silva, foi preso como principal suspeito do crime.
Maria Eduarda morava com a madrasta e o irmão, de 11 meses — que também foram assassinados —, após a mãe ter morrido em decorrência de um câncer. A criança era fruto do primeiro casamento de Alexsander.
Em entrevista à Record TV, Eduardo Gomes Afonso contou que proporcionava escola e plano de saúde à neta. Ele relatou ter visto a menina nos últimos dias 11 e 12, mediante força policial.
"Ela passeou comigo o dia todo, desde 9h30 até 19h30, quando a devolvi à residência onde ela morava. Passeou no shopping, brincou nos brinquedos, sentiu toda a liberdade de usufruir o que ela não tinha oportunidade há tanto tempo com o pai dela. Eu sentia prazer em estar com ela, almoçando, lanchando e comprando as roupas que ela mesma escolhia. Comprei também um cordão, que ela escolheu, com uma lua. Ela escolheu também uma pulseirinha. E, de repente, tanto as roupas como as pulseiras, ele arrancou, inutilizou os presentes e devolveu na portaria do prédio onde eu moro. Inclusive, devolvendo o material escolar, que dei em outra visita concedida em busca e apreensão. Nada disso ele aceitava que fizesse pela neta. Egoisticamente, ele queria que fizesse tudo por ele. Queria dinheiro para ele."
Emocionado, o avô disse que a menina convivia bem com a madrasta e que soube do crime pela síndica. "Acabei não acreditando que um pai pudesse fazer isso com a própria filha. Praticamente, ele matou a mim também, matando minha neta. Matou todos os meus sentimentos. Não pode uma pessoa dessa oferecer risco à sociedade. Não poderia ficar livre, ficando tanto tempo impune pela Justiça. A Justiça acabou lentamente concorrendo diretamente para esse assassinato. Demorou a julgar o meu pedido de modificação de guarda. O perfil dele era claramente criminoso. O perfil dele não tinha a mínima condição de exercer a paternidade."
Eduardo citou, ainda, que Alexsander já respondia em liberdade pela morte de uma ex-noiva, em 2009. "A Justiça demorou a reconhecer no Tribunal do Júri que ele era um criminoso que não podia viver em sociedade. Lamento, porque ele matou a mim, também. Não sei o que será da minha vida daqui por diante".
O R7 perguntou ao TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio) sobre o andamento dos casos, mas a assessoria de imprensa respondeu que o Tribunal não se manifesta sobre processos em tramitação.
À polícia, Alexsander negou em depoimento que tenha assassinado a família. A última imagem registrada no condomínio mostra a entrada da esposa, Andréa Cabral Pinheiro, de 37 anos, e do filho, Matheus, de apenas 11 meses, na noite de quarta (15), e a saída somente do suspeito, na manhã seguinte.















