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Bia Wilcox critica “gourmetização” do Rio e diz ser fã de pingado e pão na chapa com queijo cremoso

A loira acredita que a felicidade está em coisas simples da vida

Rio de Janeiro|Rodrigo Teixeira, do R7

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Bia é uma carioca que tem cara do Rio
Bia é uma carioca que tem cara do Rio
Bia não dispensa uma passeio pela orla carioca
Bia não dispensa uma passeio pela orla carioca

Bia Wilcox é uma mulher multifacetada, jornalista, advogada formada pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e empresária, fundou e dirige um curso de Inglês com metodologia própria. Além de ser publisher, assina diferentes colunas em jornais impressos pelo país e ainda conta as coisas da vida em seus programas de rádio.

Bia nasceu em Niterói, mas veio cedo para o Rio de Janeiro e hoje mora em Ipanema, bairro cantado por poetas e berço da Bossa Nova. A loira diz que ser carioca é um estado de espírito e se identifica com tudo que a Cidade Maravilhosa oferece. Confira a entrevista com uma mulher de bem com a vida e que é cara do Rio.


Você é uma carioca nascida e criada em quais bairros?

— O dicionário diz que ser carioca é algo mais amplo que ter nascido nessa cidade - é estado de espírito e identificação. Eu sou dessas. Nasci em Niterói. Fiz faculdade no Rio. Fui casada com cariocas e tive meu primeiro filho aqui. Fui criada em Icaraí, uma mini Ipanema, e hoje vivo na Ipanema de tamanho real, [risos]. Não tenho dúvidas de que sou carioca da gema, [risos].


Como é viver em uma cidade onde tudo vira moda?

Isso tem dois lados. A gente fica mais ligada, na espreita do próximo modismo, da próxima tendência, pra avaliar e, quem sabe, experimentar. Por outro lado, a gente fica mais livre , também . Livre pra criar seu próprio caminho de comportamento, estilo, moda. Sabemos que aqui todo mundo cria o comportamento e o estilo de vida que quer. A possibilidade de inventar modas nos faz mais livres e abertos.


Qual é a essência de todo carioca?

— O carioca é naturalmente despojado. Há uma simpatia no ar, nos calçadões e nos points da cidade. O carioca é aberto, simpático. E orgulhoso de ser o que é. Isso a gente dificilment e vê de forma tão clara em outro lugar do mundo. Talvez Roma, um pouco... Mas o Carioca é essencialmente "local", onde quer que ele vá. E não se importa muito com o que os outros pensam... Essa é a nossa essência. Podem falar o que for da gente, mas a gente é assim e não pensa em mudar e nem se incomoda com isso.


Liste cinco lugares no Rio que não dá para morrer sem visitar.

1- Não dá pra não subir o bondinho, o pão de Açucar é algo único no mundo.

2- Como morrer sem chegar pertinho do Cristo e ver o que vemos lá de cima? É experimentar a proximidade de Deus, acho. Corcovado, sem dúvida.

3- Acho um passeio à Ilha Fiscal sensacional. A vista de toda a Baía é incrível. A ilha, o estilo arquitetônico. É extasiante.

4- Santa Tereza parece uma viagem no tempo, além da vista que se de lá. Incluo aqui o Parque das Ruínas. Imperdível.

5- O quinto não poderia deixar de ser o meu cantinho, onde eu carioquei de vez: o Arpoador. Seja no sol nascente ou quando ele se põe, as palmas não são exagero. A vista de lá é de tirar o fôlego e o clima meio caribenho daquele c antinho é um tempero necessário à alma... Uma celebração à vida.

Onde você costuma ir pelo menos uma vez por semana na cidade do Rio de Janeiro?

— Caminhar no calçadão de Ipanema/Leblon. (e às vezes Copacabana também). Quando quero variar, vou andar na Lagoa. Esse programa me faz crer que felicidade é simples. Ponho meu fone de ouvido e vou apreciar a vista ímpar (natural e humana) que temos aqui. É quando ponho as ideias no lugar e me inspiro. E não pago nada pra isso.

Fale sobre algum cantinho do Rio que você considera uma descoberta sua.

— Bem, tenho certeza de que não descobri nada que muitos já não conheçam, [risos]. Tenho alguns cantos que adoro. Amo sentar numa mesinha na Rua do Rosário (se tem jazz então...) ou no Fiorentina no Leme - cantos que eu frequento. Mas cantinho meu mesmo é uma padaria na Farme com N ascimento Silva, ao lado do espaço onde trabalho - padaria das antigas, sem modernismos ou grandes gourmetizações, com mesinhas do lado de fora, café à moda antiga e pão francês na chapa com Polengu inho. Me reúno para trabalho ali, tomo café da manhã vendo os cariocas passarem e ainda levo rabanada ou bolo de aipim com côco pra casa.

A cidade celebra 450 anos neste ano, para você o que é a cara do Rio?

— O Rio tem muitas caras e esse é o grande barato daqui. São muitos Rios em um, mas com um denominador comum: um espírito alegre de encarar o que nem sempre dá tão certo. Deve ser a beleza da cidade que reduz a rabugice e o mau humor, [risos]. O Rio não t e m muito ensaio, ele dá certo até no improviso, cantando à capela. Acho que o carioca aguenta firme sem perder uma certa ternura. Essa é a cara desse aniversário da cidade. O bom humor.

Quais são os símbolos desse 450 anos que não podem passar despercebidos?

— Tudo o que unir os diferentes Rios, da zona norte a zona sul, facilitando a mobilidade de tod o s os c a riocas em suas diferentes tribos em todos os cantos dessa cidade. Queria que o símbolo desses e dos próximos 450 anos fosse a bicicleta, o metro, o ônibus e as barcas. Desejo um carioca feliz e livre para se locomover pra onde quiser. Sem medo, sem sacrifício, sem dor. Ah, acho que um outro grande simbolo do Rio é arte popular, o grafite, a arte da rua, sejam as artes plásticas, a música, a dança ou mesmo na literatura . O carioca tá sempre se reinventando em sua capacidade criativa. Criatividade e multiplicidade são sinônimos de ser carioca. E dos 450 anos do Rio. Mentes criativas com capacidade de repaginação - esse seria um símbolo e tanto desses 450 anos!

Bia é uma vascaína convicta
Bia é uma vascaína convicta

Lapa, fale sobre esse bairro que tem alma carioca.

— A Lapa mexe comigo, mesmo quando estou de longe ou mesmo quando penso nela. Curiosamente, todas as minhas idas à Lapa tem a ver com momentos de volta no tempo ou de alguma transgressão, mes m o que só interna, só de alma. Acho que vou a lapa como uma forma de contestar qualquer tipo de mesmice ou acomodação. A Lapa se torna uma cúmplice de todas as nossas rebeldias... é engraçado sentir isso em relação a um lugar... Lapa tem ar de revolucionária, à frente d e seu tempo. Na Lapa paradoxalmente parece que o mundo parou e ao mesmo tempo foi lá na frente, no futuro. Lá não há preconceito ou "xenofobia" local. Todo mundo convive e coexiste entre os arcos, ruas e bares. A Lapa é o que é porque o carioca quer. Sempre quis. O carioca cuida da Lapa, alimenta, pinta, grafita, inventa moda, porque sabe que algumas carioquices só são possiveis lá. A Lapa é progressista e acolhedora. Marginal e plural. Lapa é única.

Escolas de samba, qual é a sua do coração?

— Muito novinha, fascinada pelas letras, Cartola me encantou com suas composições, sua poesia e romantismo. Nesse momento virei M angueira. Adorava a combinação d o verde com o rosa. Há pouco tempo subi ao ponto mais alto do morro da Mangueira para uma entrevista e tive mais certeza ainda da minha escola do coração. M e enchi de orgulho de estar ali, de visitar o Instituto Mangueira do Futuro e ver a seriedade e paixão do que fazem... Mangueira sempre foi e sempre será um canto de fé.

Qual é o seu time carioca do coração?

— Não sou fanática por futebol, mas não nego, sou V ascaína. Canto o hino do Vasco até dormindo e já frequentei o São Ja nuário em criança com meu pai. Apesar de já ter virado a casaca uma época - torci pelo Flamengo p orque meus filhos s ã o flamenguisitas, [risos].

Curte de tudo na música? Vai do samba ao funk?

— Sou da geração rock'n'roll. Anos 80, rock nacional. Não vivo sem música e gosto de descobrir sons e tendências musicais novas. Descobri o samba de raiz não tem muito tempo. Não ouço funk nem sertanejo no meu carro , por exemplo , m as acho que consigo ter o olhar necessário e musicalmente generoso com estilos com os quais n ão convivi, como o funk ou o pagode. Quanto ao funk, já me diverti com ele em festa. Afinal, quem nunca? [Risos]. Ah, adoro hiphop, rap (e não me sinto menos carioca por isso! haha) . E sou casada com a MPB, claro. ​

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