Caso Amarildo: apesar do atraso, polícia mantém reconstituição e prevê 12 horas de trabalhos
PMs chegaram a ser dispensados, mas foram convocados a volta à Rocinha
Rio de Janeiro|Do R7
A reprodução simulada do caso do sumiço do pedreiro Amarildo estava marcada para às 15h, mas os agentes da Divisão de Homicídios só chegaram à favela às 16h15, 15 minutos após os PMs deixarem a comunidade. As informações foram passadas pelo advogado Marcos Espínola, que representa quatro dos policiais militares suspeitos pelo sumiço do ajudante de pedreiro.
Os policiais, que tinham sido convocados na qualidade de testemunhas, só retornaram após as 18h30 deste domingo (1º) depois que o delegado titular da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, telefonou de dentro da sede da Unidade de Polícia Pacificadora para o comandante geral da PM, coronel José Luís Castro. As ações do MP (Ministério Público) começaram com quatro horas de atraso.
Os 20 policiais militares foram dispensados pelo Estado Maior por volta das 16h deste domingo (1º). Eles poderiam não participar da simulação por meio de um comunicado formal — o que não ocorreu. Tal fato fez representantes do Ministério Público ameaçarem, ao longo da tarde, representar contra os policiais.
José Luís Castro ordenou o retorno dos policiais para o início dos trabalhos, que devem se estender pela noite de hoje e madrugada de segunda-feira (2).
Barbosa explicou que a reconstituição pode ser refeita diversas vezes.
— Não temos hora para terminar. Vão ser feitas várias simulações para esclarecer dúvidas e omissões.
Ainda segundo o delegado, existe a possibilidade de a simulação ser repetida caso as condições de luz atrapalhem os trabalhos.
A ordem da reconstituição será cronológica, partindo do momento em que Amarildo foi abordado pela primeira vez até a ocasião em o pedreiro teria deixado a sede da UPP (de acordo com relatos da polícia).
Entretanto, não fará parte da reconstituição o trajeto percorrido fora da favela pelo carro da PM que levou Amarildo de sua casa até a sede da UPP, pois dados do GPS do rádio da viatura registraram o percurso.
Devem participar testemunhas, moradores e parentes de Amarildo. Cerca de 100 policiais civis estão no local para participar da reconstituição, entre peritos e agentes da Divisão de Homicídios e da Core (Coordenadora de Recursos Especiais). A Polícia Civil informou que dois PMs pediram para participar encapuzados dos trabalhos.
Relembre o caso
Na quinta-feira (29), o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) encaminhou à Justiça proposta de ação civil pública contra cinco policiais militares suspeitos pelo desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo Dias, que foi visto pela última vez no dia 14 de julho, quando foi levado por PMs da UPP da Rocinha para averiguação.
O documento elaborado pela promotoria pede o afastamento imediato, com perda de distintivo e armas, e a expulsão dos policiais Edson Santos (comandante da UPP), Rodrigo da Silva, Douglas Vital Machado, Rafael Adriano de Carvalho e Vitor Luiz Evangelista por improbidade administrativa.
Na quarta-feira (28), a Polícia Militar anunciou que o comandante da UPP Rocinha, major Edson Santos, deixará o cargo. Um dos fatores que contribuíram para a troca do comandante foi a justamente a denúncia de moradores da comunidade de que ele estaria relacionado ao desaparecimento de Amarildo Dias.
A polícia investiga a relação dos PMs com o crime.















