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Caso Amarildo: PM diz que ouviu gargalhadas após tortura e que foi orientada a mentir

A policial Dezia de Souza disse que foi instruída a dizer que Amarildo saiu da UPP andando

Rio de Janeiro|Do R7

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Os 25 réus estiveram presentes na 35ª Vara Criminal
Os 25 réus estiveram presentes na 35ª Vara Criminal

A policial militar Dezia Juliana de Souza disse, durante a audiência de instrução e julgamento do caso Amarildo nesta quarta-feira (12), que, na noite do desaparecimento do auxiliar de pedreiro, ouviu gargalhadas após a suposta sessão de tortura.

Dezia é a segunda testemunha de acusação a depor nesta quarta (12). De acordo com ela, Elizabete Gomes da Silva, viúva da vítima, a procurou dois dias após o desparecimento do marido. Ela teria então levado a mulher ao Major Edson Santos, que deixou o telefone dele com Elisabeth.


Dezia declarou ainda que foi orientada a dizer que Amarildo teria saído tranquilamente da UPP. Ela chorou durante o depoimento.

Outro policial ouviu voz de Amarildo


O soldado da PM Alan Jardim, que foi o primeiro a depor nesta quarta (14) na 35ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, disse ter ouvido gritos de sufocamento saídos de dentro da base da UPP Rocinha em 14 de julho de 2013, dia do desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo Dias.

Ele contou que recebeu ordens para deixar a base e fazer patrulha externa ao lado de um contêiner de apoio da unidade. Segundo a polícia e o Ministério Público, Amarildo foi torturado e morto por PMs da UPP em um contêiner próximo à UPP.


— Eram gritos horríveis e ensurdecedores.

Segundo o policial, que atuava como tesoureiro da UPP Rocinha, os gritos duraram cerca de 40 minutos. Jardim contou ter visto uma viatura chegar com uma pessoa e ouviu perguntas — do tipo, "Não vai falar?" — que davam a entender que tratavam do paradeiro de drogas e armas. O PM disse que a pessoa sufocada respondia o tempo todo: "Não falo".


Capa de moto e incursão em mata

Jardim ainda afirmou ter ouvido barulho de água, como se a usassem para acordar o torturado, e de taser (arma que dá choques). Ele disse que, em seguida, recebeu ordens para pegar uma capa de moto. Segundo as investigações, o corpo de Amarildo teria sido envolvido em uma capa de moto a fim de ser retirado do local.

O PM relata ter visto, antes do fim de seu turno, cinco pessoas se dirigindo para a mata próxima da base da UPP com a capa de moto. O ex-comandante da UPP major Edson Santos também foi visto seguindo em direção à base.

No dia seguinte à tortura, Jardim recebeu ordens do tenente Medeiros para limpar a mesma capa. No contêiner, ele encontrou um balde de água e sangue no chão e em uma mesa branca. Mais tarde, ele acabou se desfazendo da mesa.

Após a sessão de tortura, Jardim disse ter visto duas soldadas em "crise de pânico". O PM relatou também ter recebido ameaças por redes sociais, mas negou que tenha sido coagido pelos acusados.

Colaborou PH Rosa, do R7 Rio

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