Caso Jandira: polícia indicia 14 pessoas; ex e amiga responderão por auxílio ao aborto
Dez suspeitos de integrar quadrilha foram indiciados por homicídio doloso
Rio de Janeiro|Do R7

A Polícia Civil concluiu inquérito sobre a morte de Jandira Magdalena dos Santos. A jovem de 27 anos, que estava grávida de quase quatro meses do terceiro filho, morreu durante procedimento de aborto. O corpo dela foi encontrado carbonizado. Ao todo 14 pessoas foram indiciadas — dez delas, segundo a polícia, integravam quadrilha que praticava abortos — e oito estão presas.
O ex-marido de Jandira, que levou a jovem até o ponto de encontro da quadrilha, e uma amiga da vítima, que teria indicado a clínica clandestina, foram indiciados por auxiliá-la na prática de aborto. Segundo o delegado responsável pelo caso, Hilton Alonso, disse que a lei prevê a criminalização de partícipe, ou seja, de quem auxiliou a vítima na prática de aborto.
Outras duas mulheres, que fizeram abortos na mesma clínica clandestina, também foram indiciadas pela prática. O ex-marido, a amiga e as duas mulheres responderão em liberdade.
Luciano Luis Gouvêa Pacheco, de 39 anos, conhecido como Shrek, seria o responsável pela segurança da quadrilha. Segundo a polícia, foi ele quem coordenou o plano para ocultar o corpo de Jandira. De acordo com a polícia, ele seria chefe de uma milícia.
Shrek foi o último integrante da quadrilha a ser preso, na semana passada. Ele e mais sete envolvidos já tiveram a prisão preventiva decretada. A enfermeira Keilla Leal da Silva ainda está foragida.
De acordo com a polícia, Jandira passou mal depois do aborto. O falso médico responsável pelo procedimento, que estudou cinco anos de medicina e usava número falso do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro), teria tentado ressuscitar a jovem, mas não conseguiu.
Os dez suspeitos de integrar a quadrilha de abortos responderão por homicídio doloso qualificado, porque assumiram o risco de matar, formação de quadrilha, ocultação de cadáver e fraude processual. Somadas, as penas podem chegar a 52 anos de prisão.















