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Caso Marielle: delator aponta participação de bicheiro do Rio na morte da vereadora

O ex-policial militar Élcio Vieira Queiroz é o primeiro envolvido nos assassinatos a assumir a coparticipação no crime

Rio de Janeiro|Do R7

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Vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018
Vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Em delação premiada, o ex-policial militar do Rio de Janeiro Élcio Vieira de Queiroz apontou a participação do grupo liderado pelo contraventor Bernardo Bello no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. Queiroz fechou um acordo de delação premiada, o que motivou a operação da PF (Polícia Federal) para investigar o caso Marielle.

Como mostrou o Estadão, Queiroz também deu o nome de um suposto responsável por contratar o ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado pelas investigações como o assassino de Marielle e Anderson. O delator citou que o suposto contratante do crime foi o policial militar Edimilson Oliveira da Silva, conhecido como "Macalé", assassinado em novembro de 2021. Queiroz disse ainda que a arma usada para matar Marielle foi desviada do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), chamada de "tropa de elite" da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

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Em um dos depoimentos, Queiroz declarou que "apareceu também celular" para Ronnie Lessa e ele achou "estranho aquele celular aparecer pra ele". Segundo o delator, Lessa "costumava andar com celular de última geração", e o aparelho novo era um smartphone "feio". "Eu perguntei e ele falou que era de uma pessoa que tinha fornecido pra ele", relatou Queiroz.

O delator contou aos investigadores, em depoimento mais recente, que foi Bernardo Bello quem deu o telefone a Ronnie Lessa. O chefe da segurança do bicheiro, José Carlos Roque Barboza, teria fornecido o carro Cobalt, usado no dia do assassinato, 14 de março de 2018. As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo.

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Élcio Queiroz é o primeiro envolvido nos assassinatos a assumir a coparticipação no crime. Ele foi expulso das fileiras da corporação em 2015, por fazer segurança ilegal em uma casa de jogos de azar na capital fluminense, e passou a atuar à margem da lei. Queiroz e Ronnie Lessa foram presos em março de 2019. Após quatro anos na cadeia, Queiroz decidiu falar. O ex-PM confessou em delação premiada que dirigia o veículo usado na execução, participou de todo o planejamento e deu detalhes do atentado.

Quem é o bicheiro Bernardo Bello

Bernardo Bello Pimentel Barboza tem 41 anos. O bicheiro chegou a ser preso em janeiro de 2022, em Bogotá, na Colômbia, pelo assassinato de Alcebíades Paes Garcia, o Bid, seu suposto concorrente no Rio. Bello foi solto após a Justiça acolher um habeas corpus e determinar sua liberdade.

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A Polícia Civil do RJ e o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) tentam prender Bello desde novembro de 2023. O Disque-Denúncia publicou, neste sábado (29), que Bello é procurado por três crimes. Segundo a central, o contraventor passou a figurar como um dos chefes do jogo do bicho no Rio "após romper com a mulher e com toda a família dela — a família Garcia — em uma ascensão marcada a sangue".

Nesta semana, a Promotoria fluminense abriu a Operação Às de Ouros II para prender Bernardo Bello e cinco investigados ligados a ele pelo assassinato do advogado Carlos Daniel Ferreira Dias. O crime ocorreu em maio de 2022, em Niterói. Segundo as investigações, o advogado mediou um conflito que envolvia uma empresa do ramo alimentício cujo desfecho não agradou a Bello.

Jogos de azar

Como mostrou o colunista Leonencio Nossa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança no caso Marielle e ao mesmo tempo acena para a jogatina. Menos de 24 horas depois de a PF revelar detalhes sobre os assassinatos do Rio e quatro dias após o Ministério da Justiça anunciar ações de segurança pública, o governo enviou ao Congresso uma medida provisória para regularizar de vez a prática das apostas esportivas online, as bets. Não é uma liberação geral da jogatina, mas um empurrão para a abertura dos cassinos, bingos e caça-níqueis.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, argumenta que há um vácuo jurídico no setor. As apostas online são uma realidade e se escoram em uma lei, ainda do governo Michel Temer, para atuarem. O argumento de que as apostas podem aumentar a arrecadação já duram mais de cem anos. No século 19, o barão de Drummond criou uma cartela com carinhas de animais para financiar o zoológico de Vila Isabel. Com o tempo, a ideia criada para melhorar a vida dos bichos se espalhou. Mas o zoológico foi fechado por falta de dinheiro.

O caso de Marielle ilustra com fatos a ligação entre o jogo e a criminalidade. Ronnie Lessa, acusado de ser o principal matador da vereadora, foi segurança da família Andrade, um dos principais clãs da contravenção. Ele era dono de 80 máquinas caça-níqueis na Barra da Tijuca.

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