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Cavendish diz ter acertado pagamento de propina para Cabral por obra no Maracanã

Construtora teria desviado mais de R$ 370 milhões

Rio de Janeiro|Do R7

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O empresário Fernando Cavendish, da empreiteira Delta Construções, afirmou em depoimento à Justiça que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) cobrou propina de 5% para que a construtora participasse do consórcio que faria a reforma do estádio do Maracanã. Segundo ele, o acerto era feito em parcelas mensais com dinheiro em espécie. Cavendish negou que o peemedebista tivesse pedido o dinheiro para campanha eleitoral.

— 2011 não era ano de campanha (...) Com certeza não (fui informado sobre o uso do recurso para campanha) — disse ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. O ex-governador tem sustentado em seus depoimentos ao magistrado que os recursos que recebia eram caixa dois de campanha eleitoral, negando a cobrança de propina. Cabral não é réu nesse processo, mas foi citado pelo empresário.


O acusado disse ainda que os recursos em espécie para o pagamento da propina do Maracanã foram gerados pelo empresário Adir Assad, também réu no processo. Cavendish afirmou que Assad entregava esses recursos para o caixa dois da Delta. Além do pagamento de propina, o dinheiro também era usado para pagamento de fornecedores em espécie e conseguir melhores condições com eles.

Cavendish e Adir Assad estão entre os alvos da Operação Saqueador, deflagrada em junho do ano passado para apurar as suspeitas de lavagem de R$ 370 milhões em obras tocadas pela construtora. Segundo as investigações, Cachoeira, Assad e Marcelo Abbud eram os responsáveis por criar as empresas fantasmas que lavavam os recursos públicos, por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas.


— Assad emitiu notas, a gente pagava as notas e ele as emitia. Eram notas por serviços não feitos — disse.

Reunião


Cavendish afirmou que à época do acerto da entrada no consórcio tinha "grande proximidade" com Cabral.

— Fui conversar com ele sobre a possibilidade da minha empresa participar do consórcio que estava sendo conduzido pela Odebrecht. Ele entendeu meu pedido — disse.


Segundo o empresário, o ex-governador citou então que tinha um acerto de pagamento de propina de 5% com a Odebrecht e que para entrar no consórcio teria que fazer o mesmo.

— Me falou que tinha que pagar também os 5% de propina. Eu admito que isso aconteceu — afirmou.

O empresário afirmou que orientou então a funcionária Claudia Maria Salgado a fazer o pagamento em dinheiro por meio de Carlos Miranda, apontado como operador do esquema de Cabral. Sobre outros mimos feitos a Cabral, em referência ao anel de 220 mil euros dado a mulher do ex-governador, Adriana Ancelmo, não quis responder.

Cavendish foi questionado por Bretas se teria interesse em compensar os cofres públicos pelo que fez. Ele respondeu que reconhece os erros que cometeu e disse que fará tudo que está ao seu alcance para "minimizar isso da forma que for correta".

— Quero manifestar profundo arrependimento pelos erros que cometi (...) Desde 2012 venho sofrendo, perdi tudo que construí. Mas tenho consciência que isso aconteceu pelos meus erros — disse.

O empresário afirmou ainda que vê o futuro com outra atitude e que agora sabe dividir bem o certo e o errado.

— Quero colaborar com a Justiça e ter oportunidade de reconstruir a minha carreira profissional, quero fazer parte de um novo momento desse País. 

Além de Cavendish e Assad, o MPF (Ministério Público Federal) denunciou em junho do ano passado Carlinhos Cachoeira, Cláudio Abreu e Marcelo Abbud por associação criminosa, em um esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro, no qual a empreiteira Delta repassou valores a 18 empresas de fachada pertencentes aos operadores, totalizando os mais de R$ 370 milhões desviados.

Segundo as investigações, Cachoeira, Assad e Marcelo Abbud eram os responsáveis por criar as empresas fantasmas que lavavam os recursos públicos, por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas.

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