Coletivo trans ocupa Feira de São Cristóvão em memória de nordestina vítima de transfobia
No próximo sábado (11) o coletivo irá promover apresentações artísticas na feira
Rio de Janeiro|Do R7*

Pessoas travestis e transsexuais ocuparam, no último domingo (5), a Feira de São Cristóvão, na zona norte do Rio, em memória de Dandara dos Santos, assassinada em Fortaleza, vítima de transfobia. A manifestação, que estendeu a bandeira do orgulho trans e que declamou palavras de ordem, foi bem recebida por quem frequentava o local.
O protesto tinha como objetivo não somente lembrar Dandara, mas também destacar a importância das vidas de pessoas transsexuais que são perdidas diariamente. A organizadora Tértuliana Lustosa, que é nascida em Corrente, no sul do Piauí, explicou ainda que após o ato surgiu um coletivo autônomo de pessoas travestis e transsexuais: o Xica Manicongo, que a partir do próximo sábado (11) irá ocupar periodicamente o palco principal da feira.
— A cultura nordestina faz parte de nossa história, iremos ocupar o palco com todas as expressões culturais que nos pertence: ritmo, dança, música, bate cabelo, poesia e muito ‘bafão’.
Neste sábado o palco já terá diversas performances das integrantes do Xica Manicongo. O evento batizado como “Paredão trans - ocupação de arte sertransneja” terá apresentações de maracatu, cordel e outras expressões regionais. Ela explica que a apropriação dessas formas de fazer arte são necessárias para a visibilidade e afirmação do espaço das pessoas transsexuais e travestis na sociedade.
— Ser nordestina e trans são condições que nos colocam como pessoas que necessitam de se afirmar socialmente, sem medo de reivindicar a nossa cultura e o nosso lugar social. Queremos mais do que pedir pelo fim dos homicídios, nós exigimos empregabilidade, direito à vida e dignidade.
O coordenador de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio, Nélio Giorgini, esteve presente no ato para se solidarizar à causa das pessoas travestis e transsexuais. Ele disse estar chocado com o crime acontecido na capital do Ceará e que fará o que puder para evitar que casos como esse ocorram no Rio.
— Como representante municipal, eu realmente fiquei muito chocado com o que eu vi no vídeo, e venho me solidarizar com todos vocês, para que denuncie conosco nessa luta diária — disse durante o protesto.
A organizadora da manifestação afirmou que o Xica Manicongo irá ocupar permanentemente a Feira de São Cristóvão com suas expressões artísticas e suas mensagens de empoderamento. Ela afirmou ainda que apesar da parceria com os organizadores da feira, o coletivo não tem nenhum vínculo com órgãos públicos e destacou que ele é liderado apenas por travestis nordestinas. De acordo com a ativista a ocupação da feira é importante para a demarcação do protagonismo das pessoas transsexuais e travestis na luta pela igualdade de direitos dessa população.
— Ninguém irá nos silenciar. Nós falamos por nós mesmas e não deixaremos que o moralismo e a burocracia das instituições públicas no cale.
*Colaborou Samuel Costa, do R7 Rio















