Com ar-condicionado quebrado, usuários passam mal e relatam desrespeito no metrô do Rio
Em quatro viagens, a equipe do R7 flagrou vagões com problema
Rio de Janeiro|Do R7
Da plataforma da estação você avista um vagão do metrô com vários lugares vazios. Logo pensa que "ganhou na loteria" por conseguir sentar, mas quando as portas abrem você se depara com a quantidade de pessoas que deixam a composição. Ao entrar, você descobre o motivo para tantos lugares: o ar condicionado está quebrado.
Em quatro viagens durante os meses de dezembro de 2013 e fevereiro de 2014, a equipe do R7 se deparou com a situação nas duas linhas do metrô do Rio. Com a falta de informação, percebemos que muitos passavam mal e achavam que o ar estava quebrado em todos os vagões e por isso permaneciam no que estavam.
Por volta das 9h30 desta quarta-feira (5), o geólogo Rafael Nóbrega Câmara, de 25 anos, deixava uma composição - da linha 1 com destino Saens Peña - com a camisa social banhada de suor para embarcar em outro vagão. Ele conta que havia deixado o anterior porque não havia condições de continuar nele devido ao calor intenso.
— É impossível chegar ao trabalho, depois que você saiu de um vagão desses, da forma como você saiu de casa. É um desrespeito total ao cliente.
Câmara diz que durante o tempo em que esteve na composição não recebeu nenhuma informação sobre o ar condicionado não estar funcionando. Além disso, relatou que muitas pessoas estavam passando mal e acreditavam que a situação era a mesma nos outros vagões.
A usuária Marilda Tavares, de 53 anos, que estava no mesmo vagão que Câmara, ressaltou o alto preço do transporte e que a situação pode levar as pessoas a se sentirem mal.
— Pelo tipo de transporte, com a falta de ar condicionado as pessoas podem realmente passar mal. Isso é temeroso principalmente porque é um dos transportes mais caros. O ônibus tem a possibilidade de abrir a janela, aqui não.
Em dezembro passado, um repórter do R7 pegou uma composição da linha 2 no sentido Botafogo com o mesmo problema. Ele relata que durante uma viagem da estação Triagem até a do Largo do Machado não obteve nenhuma informação sobre a situação do vagão e que permaneceu nele por achar que os outros estariam com o mesmo problema.
Na primeira quinzena de janeiro, outra repórter embarcou em uma composição na estação Pavuna com destino a estação Triagem e durante cerca de 50 minutos passou pela mesma situação. Ela descreveu que no meio da viagem o ar-condicionado parou de funcionar e os usuários não receberam nenhuma informação a respeito. Muitos continuaram no vagão e, ao longo da viagem, era possível ver que alguns passavam mal e se abanavam ou ainda que haviam se livrado de algumas peças, como uma mulher que usava salto alto, saia social e um top.
Ao deixar a composição, a repórter percebeu que, mesmo em um dia quente com temperatura marcando quase 40° C, o lado de fora era mais fresco do que dentro da composição.
Em nota, o Metrô Rio disse que, "desde 2010, foram investidos mais R$ 21 milhões na reforma de equipamentos de ar-condicionado dos trens antigos, o que melhorou, de forma significativa, o desempenho do sistema térmico. Os trens novos são equipados com ar condicionado 33% mais potente que os antigos e são programados para operar com temperatura de 19 graus no verão.
Para ajudar na rápida localização e ação da equipe de manutenção, o MetrôRio pede aos seus usuários que, sempre que possível, informem o número do carro (localizado ao lado das portas e na parte superior do carro) nos telefones de atendimento ao cliente, 0800 595 1111 ou 4003-2111".
Larissa Kurka, do R7















