Com duas semanas de tiroteios, moradores do Alemão relatam clima de guerra e denunciam invasão de casas
Em 13º dia com registro de tiros, moradores protestam contra invasão de PMs em lajes de casas
Rio de Janeiro|Do R7

O dia amanheceu mais uma vez ao som de tiros no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. Moradores relatam que desde o dia 2 deste mês, o local têm registrado confrontos diariamente. Nesta quarta-feira (15), eles disseram ter ouvido até detonação de granadas, no ponto conhecido como Praça do Samba.
Em nota, o comando da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Nova Brasília informou que não há registro de confrontos envolvendo policiais, nesta manhã. Tiros foram ouvidos na localidade conhecida como Alvorada, por volta das 7h. Os agentes da unidade realizam buscas no local, mas ninguém foi preso.
Os tiros no Alemão já duram 13 dias e, segundo os moradores, acontecem pricipalmente nos horários de entrada e saída de escolas e creches. Em redes sociais, os moradores contam que, quando as aulas não são suspensas, os próprios pais decidem não levar os filhos por medo.
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— Eu moro no Alemão há 45 anos e nunca passei o que a gente está passando aqui no morro. Muitos tiroteios, morador perdendo casa, morador perdendo a vida aqui. É uma guerra que nós não estamos suportando — disse uma moradora, que prefere não ser identicada, em entrevista a Record TV Rio.
Manifestação
Horas após os tiros, os moradores começaram uma mobilização pelas redes sociais a fim de protestar contra a ocupação das lajes das casas por policiais durante os confrontos. O jornal Voz das Comunidades, veículo comunitário do Alemão, denunciou em uma reportagem, publicada nesta terça-feira (14), que militares teriam invadido cerca de cinco casas. Nas imagens, policiais aparecem atirando para o alto em uma das lajes ocupadas.
Segundo o comando da UPP Nova Brasília, a informação de moradores expulsos não procede. os policiais da unidade estariam ocupando algumas casas abandonadas próximas ao local onde está sendo finalizada a construção de uma base.
Nesta quarta, por volta das 10h, um grupo de moradores seguiu em direção à UPP, para denunciar o caso ao comandante da unidade.
Veja a reportagem:















