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Comandante das UPPs pede desculpas à família de Amarildo por tortura

Para Caldas, comportamento de policiais acusados de tortura é inaceitável

Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

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Coronel Frederico Caldas pediu desculpas à família de Amarildo de Souza durante lançamento de cartilha na Rocinha
Coronel Frederico Caldas pediu desculpas à família de Amarildo de Souza durante lançamento de cartilha na Rocinha Estefan Radovicz/Agência O Dia/Estefan Radovicz

O comandante das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), coronel Frederico Caldas, pediu na quarta-feira (6) desculpas à família do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que foi torturado e morto por policiais militares na Rocinha, zona sul do Rio. O pedido foi feito durante o discurso de Caldas no lançamento da cartilha Cidadão com Segurança – Respeito Mútuo entre Cidadão e Polícia, na quadra da Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, na zona sul do Rio.

— Nós devemos desculpas à família. De uma maneira humilde e humanitária. O que nós temos aqui é apresentar desculpas à família por este sofrimento, porque é inaceitável que um agente público tenha este comportamento.


O coronel disse que é inaceitável que haja na polícia um instrumento de abuso e de excesso, ainda mais porque o cidadão espera que o policial seja o principal defensor das leis e da cidadania e não aquele que vai, de alguma maneira, desrespeitar o cidadão que ele deve servir.

— Nós também não compactuamos com desvio de conduta, nós também não compactuamos com os excessos. Nós entendemos que a Justiça deve ser feita pelas mãos daqueles que têm o dever de fazer cumprir a lei.


Para o comandante das UPPs, o que aconteceu na Rocinha foi um absurdo.

— É inaceitável que o policial tenha um comportamento que não seja em consonância e em observância com o que está previsto na lei, nem na Rocinha, e nem em lugar algum. O que aconteceu aqui na Rocinha foi um absurdo. Se ninguém disse isso até agora, eu digo. Isso foi um absurdo e é inaceitável que este tipo de comportamento de alguma maneira seja feito por um Policial Militar, por um agente público, um agente da lei. Não estou fazendo aqui um julgamento. O julgamento cabe à Justiça e nós acreditamos na Justiça. Acreditamos no trabalho isento que foi feito pela Polícia Civil.


Falando como comandante das UPPs, Caldas acrescentou que a cartilha lançada na quarta-feira, de alguma forma, joga luz sobre os diretos do cidadão.

— Observando o que está aqui, nós não teremos mais um novo caso Amarildo.


A cartilha foi produzida em parceria pelos Ministérios Públicos do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Federal (MPF) e Militar (MPM) e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e trata dos direitos e deveres do cidadão em contato com um policial e o que ele deve fazer em caso de abuso da polícia.

O subprocurador-geral de Direitos Humanos do MP-RJ, Ertulei Matos, disse que o caso Amarildo é emblemático para a coletividade e aproximou o Ministério Público das polícias Civil e Militar.

— Não devolvemos a vida de Amarildo, mas responsabilizamos 25 pessoas que denegriram a imagem da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

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