Crime da Lagoa: MP pede condenação de 1º menor apreendido
Adolescentes apreendidos foram ouvidos em audiência na quarta-feira
Rio de Janeiro|Do R7, com Estadão Conteúdo e Rede Record

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) pediu a condenação do primeiro menor apreendido suspeito de envolvimento na morte do médico Jaime Gold. Os outros dois menores podem ser absolvidos, mas tudo depende da decisão da juíza Michele Samapio, que sai em até dez dias. De acordo com o MP, os dois menores confessaram o crime, mas no inquérito policial não há provas contra eles. A juíza também negou um pedido de acareação entre os três menores, o que poderia ajudar a solucionar a autoria do crime.
A situação surpreendeu, já que o adolescente sempre negou o crime e os outros menores também o inocentaram. Segundo o advogado do primeiro apreendido, Alberto Júnior, a única prova contra o suspeito é o depoimento de uma testemunha.
— É uma situação que nunca vi na minha vida. Esperamos a sentença. A única coisa que liga o adolescente ao fato é uma testemunha.
Os três adolescentes suspeitos de participação no crime foram ouvidos na Vara da Infância e da Juventude, no Fórum de Olaria, zona norte do Rio, na tarde de quarta-feira (17). A audiência terminou por volta das 22h e a juíza Michelle Gouvêa Pestana, da Vara da Infância e da Juventude, deve dar a sentença em até dez dias.
Os promotores Luciana Benisti e Renato Lisboa argumentaram à magistrada que, isoladamente, as confissões dos jovens de 15 e 17 anos não comprovam a participação deles no crime. A única testemunha do caso, um frentista de 28 anos, não reconheceu os menores durante a audiência.
Já o primeiro adolescente apreendido voltou a ser reconhecido por esse homem, segundo o defensor público Fábio Schwartz, advogado dos dois garotos que confessaram o crime.
— A confissão deles não se harmonizou com as provas. O que os adolescentes dizem que fizeram não é corroborado com a principal testemunha.
A defesa do primeiro jovem reclama que pediu três acareações à Justiça e que nenhuma foi autorizada. Segundo o advogado Djefferson Amadeus, outro advogado do adolescente, o frentista afirmou nesta quarta que o autor das facadas era branco. Entre os apreendidos, os dois primeiros são negros, e o terceiro é branco.
— O frentista diz de forma clara que quem deu a facada foi o branco, o mais claro. O mais claro está lá.
Durante a audiência, três testemunhas de defesa foram ouvidas: o advogado Rodrigo Mondego, que defendeu temporariamente o segundo adolescente apreendido, e dois moradores de Manguinhos — comunidade da zona norte onde o primeiro adolescente morava e que pretendiam confirmar que ele estava na favela na noite do crime, sendo portanto inocente. Também depuseram seis testemunhas de acusação: a delegada Patrícia Aguiar, da Divisão de Homicídios, o frentista que testemunhou o crime e quatro policiais civis. Havia ainda uma testemunha pedida pela juíza. O delegado Rivaldo Barbosa, chefe da Divisão de Homicídios, disse, ao deixar o Fórum Regional da Leopoldina, em Olaria, zona norte, que também havia sido ouvido.
Convocada como testemunha de defesa, a delegada Monique Vidal, titular da delegacia do Leblon (14ª DP), não apareceu. O subsecretário municipal de Proteção Social Especial, Rodrigo Abel, também falaria a pedido da defesa, mas foi dispensado.
Todos os suspeitos estão detidos, sob os cuidados do Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas). Na quarta, os advogados de defesa do primeiro adolescente apreendido entraram com um pedido de liberdade, mas foi negado pela desembargadora Denise Vaccari, da 5ª Câmara Criminal do TJ-RJ.
Entenda o caso:
O médico Jaime Gold, de 57 anos, foi esfaqueado quando pedalava na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, no dia 19 de maio. Segundo testemunhas, o médico foi atacado por dois menores, que roubaram a bicicleta dele. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o crime, um adolescente de 16 anos foi apreendido e apontado pela polícia como o autor do crime. Ele negou participação no caso em depoimento à Justiça. No último dia 28, outro adolescente, de 15 anos, também foi apreendido. O segundo jovem teria admitido que participou da ação, mas atribuiu o crime ao primeiro menor apreendido.
Na ocasião, a delegada da Divisão de Homicídios Patrícia Aguiar reiterou que o autor do crime foi o primeiro menor apreendido pela Polícia Civil. De acordo com ela, o segundo menor foi responsável por jogar a arma do crime no rio Maracanã, na zona norte do Rio.
No dia 2 deste mês, um terceiro menor se entregou à polícia do Rio e assumiu participação na morte do médico. Com isso, o caso teve uma reviravolta. Até então, a delegada Patrícia considerava o crime esclarecido.
A titular da delegacia do Leblon (14ª DP), Monique Vidal, fez declarações polêmicas que levantaram dúvidas sobre a apreensão dos dois primeiros menores suspeitos. Pelas redes sociais, a delegada disse que a testemunha citada na investigação garantiu que um dos suspeitos do crime seria branco. No entanto, os dois menores apreendidos são negros.
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