De bairro histórico a polo de lazer: conheça as curiosidades de Piedade e do Parque Arlindo Cruz
Espaço recebe, no dia 25 de julho, uma edição do Record nos Parques, com atrações gratuitas para toda a família
Rio de Janeiro|Maria Ferri, da RECORD Rio

Quem visita hoje o Parque Piedade Arlindo Cruz, na zona norte do Rio de Janeiro, dificilmente imagina que o local, durante anos, foi uma área abandonada. O espaço, que recebe no dia 25 de julho a edição do Record nos Parques, tornou-se um símbolo da revitalização do bairro e devolveu aos moradores uma grande área de convivência, esporte e lazer.
A criação do parque mudou a vida dos moradores de Piedade, como o aposentado Márvio de Carvalho, de 66 anos, que mora na região há 59 anos. Depois da inauguração, ele passou a fazer aulas de dança moderna e de zumba, e elogia a nova experiência.
“A dança é uma coisa que faz você flutuar. Você esquece dos problemas”, comenta.
Ele conta ainda que traz toda sua família para o parque. “Faço minha dança, trago minha neta e minha bisneta para cá, para se divertirem no dia a dia e passarem o tempo”, acrescenta o aposentado.
A influenciadora digital Carolina Ferreira conhece muito bem a região e frequenta o parque. Ela é conhecida como Mina do Méier, área da qual a Piedade faz parte, e se considera “cria” do bairro. Carolina estudou na antiga Universidade Gama Filho. Após o fechamento da instituição, o campus ficou abandonado por anos e, posteriormente, deu lugar ao parque.

Carolina tinha grande expectativa em relação à inauguração do espaço. “Eu cheguei aqui em 2010 e, infelizmente, até o fechamento da Gama Filho, acompanhei todo esse tempo em que o prédio ficou abandonado. Eu passava por aqui e via aquilo. Tinha uma biblioteca imensa. Ver tudo abandonado realmente doeu no coração. Quando eu soube que ia virar esse parque, falei: ‘Cara, estou apostando muito positivamente nisso aqui’. Quando inaugurou, veio uma surpresa ainda maior, porque, realmente, isso aqui está incrível”, diz Carolina.
Como frequentadora, ela também destaca a estrutura e as opções de lazer do local. “É um lugar tão bonito. A gente precisava de um espaço ao ar livre, seguro, com muitas possibilidades: futebol, vôlei, espaço para as crianças. Esse espaço das águas é incrível. Todo mundo participa. E, quando tem evento aqui, é evento gratuito”, conta.
O evento Record nos Parques será aberto para a população. A programação acontece no dia 25 de julho, das 10h às 16h. Realizado pela RECORD Rio em parceria com a Prefeitura do Rio, o projeto leva atividades gratuitas para toda a família, com atrações culturais, recreação infantil, serviços de cidadania e ações de utilidade pública. Mais do que um evento, a iniciativa reforça a importância dos espaços públicos como locais de convivência e celebra uma nova fase de Piedade, que preserva suas raízes históricas enquanto se consolida como um dos bairros mais acolhedores e revitalizados da zona norte.
História

Muito antes de ganhar um dos principais espaços de lazer da zona norte, a Piedade já tinha uma história rica. Com origens no período colonial, o bairro passou por uma grande transformação em 1873, quando a chegada da ferrovia impulsionou o crescimento da região e substituiu a antiga paisagem de chácaras por um importante núcleo urbano.
Entre as curiosidades locais está a origem do nome Piedade. A estação era conhecida por um apelido relacionado à grande quantidade de gambás na região, o que incomodava os moradores. Após um abaixo-assinado pedindo a mudança, a parada de trens passou a se chamar Piedade, nome que permanece até hoje e se tornou um dos símbolos da história do bairro.
A transformação mais marcante dos últimos anos aconteceu no terreno onde funcionava o antigo campus da Universidade Gama Filho. Após o fechamento da instituição, em 2014, a área permaneceu abandonada durante anos, acumulando sinais de degradação e gerando preocupação entre os moradores. A realidade começou a mudar com a construção do Parque Piedade Arlindo Cruz, que devolveu vida ao espaço e criou um dos maiores equipamentos públicos de lazer da zona norte.
Com cerca de 23 mil metros quadrados, o parque recebeu um investimento de mais de R$ 72 milhões, derrubando estruturas antigas para receber até 20 mil visitantes mensais. O local oferece atrações para todas as idades. O espaço conta com pista de caminhada, quadra de areia, academia para a terceira idade, playground, áreas de convivência, mirante e uma área aquática que se tornou uma das preferidas das crianças e das famílias nos dias de calor. Além da prática de esportes, o parque também é utilizado para atividades culturais, eventos comunitários e encontros entre moradores, fortalecendo o sentimento de pertencimento da população.
Arlindo Cruz

O nome escolhido para o parque presta homenagem a um dos maiores representantes do samba brasileiro. Nascido na Piedade em 1958, o cantor Arlindo Cruz construiu uma das carreiras mais importantes da música popular, primeiro como integrante do grupo Fundo de Quintal e, depois, em uma bem-sucedida trajetória solo. Autor de centenas de composições gravadas por grandes artistas e figura marcante do carnaval carioca, Arlindo levou para o Brasil e o mundo a musicalidade e a cultura da região.
O Parque Piedade Arlindo Cruz integra o conjunto dos cinco parques públicos entregues pela Prefeitura desde 2024. Além dele, foram inaugurados os parques Oeste, Realengo, Rita Lee e Carioca Pavuna. Juntos, os novos espaços somam cerca de 500 mil metros quadrados de áreas verdes, ampliando as opções de lazer, esporte e convivência para a população carioca.
Euclides da Cunha
A Piedade também se destacou pelo pioneirismo. Em 1905, foi um dos primeiros bairros do subúrbio carioca a receber iluminação elétrica, ao lado do vizinho Encantado. Décadas depois, consolidou-se como um importante polo educacional com a fundação da Universidade Gama Filho, em 1939, a primeira grande instituição universitária instalada no subúrbio do Rio. Hoje, além do Parque Piedade Arlindo Cruz, a região preserva a memória da universidade por meio de um memorial dedicado à instituição, por onde mais de 40 mil alunos passaram ao longo dos anos.
O bairro também entrou para a história por ter sido palco da chamada Tragédia da Piedade. Em agosto de 1909, o escritor Euclides da Cunha foi morto a tiros na região, em um dos episódios mais conhecidos da história do país. Euclides foi um importante autor e jornalista brasileiro, além de engenheiro e sociólogo. Ficou conhecido principalmente por escrever Os Sertões (1902), livro que narra a Guerra de Canudos e é considerado uma das obras mais importantes da literatura.
Atualmente, a Piedade mantém sua vocação de importante eixo de ligação da zona norte. A estação de trem atende aos ramais Deodoro e Santa Cruz, facilitando o deslocamento para o centro e outras regiões da cidade. Entre as principais vias de acesso estão a avenida Dom Hélder Câmara e a rua Goiás.
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