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Decisão que dá liberdade a PMs que fuzilaram 5 jovens revolta família de vítima

STJ concedeu habeas corpus aos quatro policiais acusados da chacina em Costa Barros

Rio de Janeiro|Do R7

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Rapazes voltavam do Parque Madureira quando foram mortos
Rapazes voltavam do Parque Madureira quando foram mortos

A decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que deu liberdade a quatro PMs acusados de matar cinco jovens em um carro em Costa Barros, zona norte do Rio, revoltou a família de uma das vítimas. O taxista Carlos Henrique do Carmo Sousa, pai de Carlos Eduardo Silva de Souza, de 16 anos, questionou a decisão ante evidências do crime apresentadas nas investigações e denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

— A gente está muito revoltado. Foram 111 tiros em cima de cinco jovens. Não foi acidental. Está comprovado que atiraram sem motivo e eles conseguem liberdade antes de completar sete meses [de prisão]? A gente está totalmente sem saber o que fazer.


Presos desde novembro de 2015 em unidade prisional da PM em Niterói, os agentes alvejaram o carro em que as vítimas estavam. Carlos Eduardo, que estava sentado atrás do motorista, foi atingido por 11 tiros de fuzil nas costas. Segundo o pai, o rapaz, que havia passado para o 3º ano do ensino médio, sonhava em ser oficial da Marinha.

A família de Carlos Eduardo criou a página Basta RJ no Facebook em que denuncia casos de violência policial no Rio de Janeiro. A terceira audiência do caso está marcada para o dia 4 de julho. Parentes e amigos organizam um ato, às 13h, na porta do Tribunal de Justiça.


Os policiais Thiago Resende Viana Barbosa e Antônio Carlos Gonçalves Filho, o sargento Márcio Darcy Alves dos Santos e o cabo Fabio Pizza Oliveira da Silva foram acusados pelo Ministério Público por cinco homicídios qualificados, duas tentativa de homicídios qualificados, fraude processual modificando a cena do crime e posse de arma com numeração adulterada. Eles eram lotados no 41º BPM (Irajá).

O pedido de liberdade foi feito pelo advogado de Fábio Pizza e, aceito pelo ministro Nefi Cordeiro, estendido aos demais réus. Antonio Carlos Gonçalves Filho, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos estavam presos em flagrante desde a chacina. Fabio Pizza Oliveira da Silva já havia sido beneficiado por um habeas corpus concedido pelo STJ em abril.


Relembre o caso

Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Carlos Eduardo Silva de Souza, de 16 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, Roberto Silva de Souza, de 16 anos, e Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos foram mortos após terem o carro alvejado pelos policiais, quando voltavam do Parque de Madureira, zona norte, em 28 de novembro.


Em depoimento à época do crime, uma testemunha afirmou que os policiais sorriram após o fuzilamento. A testemunha afirmou aos investigadores, em depoimento, que conhecia os jovens e que nenhum deles estava armado.

De acordo com a testemunha, Junior, que dirigia o Palio branco em que os jovens estavam, obedeceu a ordem de parada dos PMs. Após encostar o carro, os jovens teriam erguido os braços, sendo que um deles chegou a tirar o corpo para fora da janela com as mãos para cima.

Segundo o diretor do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli), Sérgio William, nenhum disparo partiu do Palio branco onde estavam os jovens.

— Não foram encontrados vestígios, nada que indique que houve disparo de dentro para fora do veículo [em que estavam os jovens].

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