Defensoria pede para MP investigar ação com 12 mortos no Alemão

Defensor Daniel Lozoya disse que o objetivo é assegurar uma apuração independente sobre circunstâncias dos fatos, além de preservar testemunhas

Defensoria criticou operação durante a pandemia

Defensoria criticou operação durante a pandemia

Agência Brasil/Tomaz Silva - 21.05.2015

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro pediu ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) a abertura de uma investigação autônoma sobre a operação policial no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, que terminou com 12 mortos na sexta-feira (15).

Em entrevista ao R7, o defensor público Daniel Lozoya disse que objetivo é assegurar uma apuração independente em relação às circunstâncias dos fatos, além de preservar as testemunhas.

Para a Defensoria Pública, é conflitante o processo de investigação ficar a cargo da Polícia Civil, por meio da Divisão de Homicídios, quando a Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos) também participou da ação.

"Esse pedido se dá em conformidade com a sentença sobre o caso de violência policial em Nova Brasília, que também ocorreu no Complexo do Alemão, e é uma determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos em casos de violência policial por uma investigação independente do Ministério Público. Porque essas investigações não podem ficar a cargo das próprias forças envolvidas na ação", explicou Lozoya.

Outro ponto que o defensor público considerou "criticável" foi o fato de a operação ter ocorrido em meio ao isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus:

"O Estado já está com os sistemas de saúde e funerário sobrecarregados, as pessoas estão com dificuldades de acesso à água, e os recursos são direcionados para uma operação que gera violência, terror e medo na população. É preciso ter uma visão mais crítica dessas operações. As grandes operações precisam ser voltadas para prevenção, para saber como essas armas chegam lá."

Mortes

A Divisão de Homicídios confirmou que, além dos 10 corpos encontrados pela PM, uma vítima fatal foi localizada na comunidade da Fazendinha e outra na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Alemão no final da noite.

Até o momento, os investigadores já sabem que cinco homens morreram por "intervenção de agentes do Estado" em uma troca de tiros durante uma incursão na comunidade, quando policiais tentaram estourar um paiol.

Todos foram apontados como suspeitos pela PM, inclusive um deles foi identificado como líder do tráfico nas comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul.

No entanto, ainda é desconhecida a forma como morreram as pessoas encontradas já sem vida na avenida Itaóca, além das duas vítimas localizadas na UPA e na região da Fazendinha.

Ação apreendeu oito fuzis no Alemão

Ação apreendeu oito fuzis no Alemão

Reprodução/ Twitter PM

Operação contra o tráfico

A ação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) com a Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos) tinha o intuito de checar denúncias sobre o tráfico local e um imóvel usado como esconderijo de armas.

Segundo a Polícia Militar, suspeitos armados atiraram e lançaram diversas granadas contra as equipes em diferentes pontos da comunidade.

"Houve reação aos ataques feitos pelos criminosos nestes locais e ocorreram múltiplos confrontos, o que dificultou o vasculhamento em algumas áreas", informou a PM em nota.

As autoridades disseram ter socorrido os cinco suspeitos ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas eles não resistiram.  Um policial também ficou ferido no tiroteio. O PM foi levado ao hospital da corporação, onde está internado com quadro de saúde estável.

A ação policial apreendeu oito fuzis, 85 granadas e drogas, de acordo com o balanço da PM.

Nas redes sociais, o morador do Complexo do Alemão, Raull Santiago, escreveu que havia informações de "várias casas invadidas pela polícia", além de falta luz em parte da favela.

Em um vídeo compartilhado por outra moradora, é possível ver as consequências da ação policial na comunidade: