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Ditadura removeu quase 100 mil moradores de comunidades do Rio, diz Comissão da Verdade

Trabalhadores rurais também eram perseguidos por luta por melhores condições

Rio de Janeiro|Do R7

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Relatório da Comissão da Verdade do Rio, entregue nesta quinta-feira (10) ao governador Luiz Fernando Pezão, mostra que a ditadura também afetou moradores de comunidades. Segundo o documento, eles sofreram perseguições e foram removidos de suas casas por causa de interesses do governo nas áreas onde residiam. De acordo com a presidente da comissão, Rosa Cardoso, em meados da década de 60 e início dos anos 70, quase 100 mil pessoas foram obrigadas a sair de favelas.

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Os locais eram alvo de grande especulação imobiliária. Além disso, divulgava-se a informação na época de que as comunidades seriam um espaço de propagação da ideologia comunista. Segundo a comissão, a tentativa do Estado era de acabar com as favelas e a visão se tornou mais forte durante a ditadura.

Um dos casos mais lembrados de remoção é o da comunidade da Praia do Pinto. Apesar da prisão dos líderes da resistência, as pessoas continuaram se opondo à vontade do governo de que elas saíssem do local. A luta durou até que o lugar pegasse fogo, destruindo 800 barracos e deixando mais de 4.000 desabrigados. Até hoje não se sabe ao certo se o incêndio foi provocado por agentes do governo ou se tratou de um acidente.


O líder comunitário da Vila Autódromo, Altair Guimarães, conta no documento que os moradores foram despejados em condições sub-humanas.

— Fomos tirados dessas comunidades [Favela do Pinto, Ilha das Dragas e Ilha dos Caiçaras] como animais. Na época, a Comlurb 10 tinha caminhões com janelinhas iguais às dos trens. O governo, a Polícia Militar e a Comlurb iam botando nossas coisas pra cima dos caminhões de lixo, metendo pé de cabra e marreta nos barracos, derrubando. Não respeitavam as crianças, não respeitavam os mais velhos e não é diferente hoje. A mesma coisa que acontecia na época da ditadura acontece hoje.


A comissão ainda mostra que trabalhadores rurais e urbanos sofreram no período ditatorial, pois eram tirados das terras e perseguidos por lutarem por melhores condições de trabalho. Em ambos os casos, é possível ver uma luta por direitos que motivou a perseguição política.

*Caroline Brizon, do R7 Rio

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