Logo R7.com
RecordPlus

Dois anos após a morte de Ágatha Félix, testemunhas depõem em primeira audiência do caso

Motorista de Kombi onde menina de 8 anos foi baleada reconheceu PM denunciado como autor dos disparos 

Rio de Janeiro|Victor Tozo*, do R7

  • Google News
Ágatha foi morta em 2019
Ágatha foi morta em 2019

A Justiça do Rio de Janeiro realizou, nesta quarta-feira (9), a primeira audiência sobre a morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, vítima de uma bala disparada por um policial militar no Complexo do Alemão, na zona norte, em setembro de 2019.

Durante quase seis horas, seis testemunhas de acusação foram ouvidas pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 1ª Vara Criminal do Rio. A mãe de Ágatha, Vanessa Félix, foi a primeira a falar e se emocionou ao relatar os últimos momentos com a filha, com quem estava dentro de uma Kombi quando ela foi atingida por um tiro nas costas.


O motorista do veículo, Moisés Atanázio, foi um dos depoentes. Ele afirmou que, enquanto ajudava passageiros a retirar bolsas da Kombi, viu uma motocicleta passar em alta velocidade e um PM atirando em seguida. Ele reconheceu o agente como sendo o cabo Rodrigo José Soares, denunciado pelo homicídio qualificado de Ágatha.

Moisés contou também que, enquanto socorria a menina e a mãe, gritou para um dos PMs que eles teriam baleado uma criança, mas os policiais não esboçaram reação ou ofereceram ajuda.


A sessão também foi marcada por contradições nos depoimentos de dois policiais que patrulhavam o local do crime e das demais testemunhas. Os agentes disseram ter reagido a disparos feitos por uma pessoa que viajava na garupa de uma moto. No entanto, os moradores da área declararam que apenas os PMs atiraram.

Algumas testemunhas indicadas pelo Ministério Público não compareceram à audiência, e a juíza marcou a continuação dos depoimentos para o dia 3 de março, a partir das 14h.


Adiamentos

O início do julgamento do processo sobre a morte de Ágatha foi adiado em mais de uma ocasião.

A primeira audiência do caso havia sido marcada para abril de 2020, mas acabou prorrogada para novembro por causa da pandemia de Covid-19.


Em novembro, o PM Soares, réu no processo, afirmou estar infectado pelo coronavírus e a sessão foi adiada novamente, dessa vez para abril de 2021. Entretanto, a audiência não ocorreu, mais uma vez, devido à pandemia.

A morte de Ágatha completou dois anos sem julgamento em setembro do ano passado. Na ocasião, a mãe da menina questionou a lentidão do processo e afirmou que o tempo desde a morte da filha havia passado como uma "eternidade". Por fim, Vanessa disse estar com o "coração despedaçado".

Relembre o caso

Ágatha Félix foi baleada nas costas enquanto estava com a mãe em uma Kombi no Complexo do Alemão em 21 de setembro de 2019.

A investigação da Polícia Civil concluiu que o tiro que matou a menina foi disparado por um PM. Em dezembro de 2019, o cabo Rodrigo José Soares se tornou réu pela morte de Ágatha.

Na decisão, a juíza Viviane Ramos de Faria ressaltou que o policial efetuou disparos contra "pessoas que, a princípio, não representavam perigo aos agentes da segurança pública ou a terceiros, acabando por ceifar a vida de uma criança de apenas 8 anos de idade, deixando, inclusive, de prestar socorro a ela".

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.