Logo R7.com
RecordPlus

Em SP, prefeito do Rio critica Dilma e diz que solução para protestos pede gestão metropolitana

Para o "Gigante" não se revoltar, diz Paes, é preciso focar aglomerados urbanos com recursos

Rio de Janeiro|Thiago de Araújo, do R7

  • Google News
Prefeito do Rio diz que governos locais são mais cobrados do que governo federal em meio a onda de protestos
Prefeito do Rio diz que governos locais são mais cobrados do que governo federal em meio a onda de protestos Daia Oliver

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou nesta terça (20) que a resposta aos protestos que levaram a população às ruas nos últimos meses em todo o Brasil passa por uma mudança na gestão dos municípios e suas regiões metropolitanas. Paes participou do seminário “O desafio da gestão metropolitana no plano social e econômico” promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais) em São Paulo.

Paes explicou que “entendeu a razão das manifestações”, mas criticou a postura do governo federal. De acordo com o prefeito do Rio, a presidente Dilma Rousseff “fingiu que não era com ela”, quando eclodiram os protestos nas ruas das principais cidades brasileiras, cabendo o ônus dos problemas aos governos locais.


— Há uma razão muito clara das manifestações e é para cobrar aquilo que é justo. Não sairemos desse impasse com a responsabilidade dos gestores locais. Elas aumentaram enormemente, passamos muito tempo contestando as cidades, os aglomerados urbanos, como se eles fossem um problema. O grande adensamento como problema é uma visão do passado. Se o País quer avançar e enfrentar os protestos, se quer que o ‘Gigante’ permaneça atento, mas não revoltado, é fundamental que tratemos desse tema, dos grandes aglomerados urbanos, seja com recursos ou com modelos. Ou fazemos isso ou veremos o Gigante apontando problemas todos os dias.

Apesar do tom crítico, Paes reafirmou apoio à candidatura de Dilma à reeleição. Segundo ele, "Dilma merece mais um mandato".


— Acho de longe que a Dilma é a candidata mais preparada e acho que ela merece ser reeleita. Eu sou parceiro político dela, tem muita coisa acontecendo e temos mudanças pra fazer no Brasil que não dependem (só dela).

Paes comparou ainda os modelos brasileiros nas áreas de saúde e educação, mais uma vez mirando o governo federal em relação ao repasse de recursos para as cidades. Para ele, o fato da União ficar com 70% da arrecadação, com Estados dividindo 25% e os municípios tendo apenas 5% para si, não é uma divisão justa nos moldes atuais de demandas.


— Na educação, quanto mais criança em sala de aula, mais tempo em sala, você recebe mais recurso, é uma equação fantástica. Aumentei muito isso no Rio. Então, aumentamos as vagas em creche, nesse modelo de financiamento da educação, e obtivemos R$ 400 milhões a mais. O modelo de saúde é burro, não incentiva o investimento, já que parte do número de habitantes. Como se investir muito ou pouco ganha a mesma coisa, todo mundo investe pouco.

O prefeito do Rio completou, pedindo novos modelos de financiamento ou mais recursos, para que os serviços essenciais possam ser melhorados nas principais cidades do País. Com a agenda local ganhando cada vez mais importância não só no Brasil, mas no mundo, de acordo com Paes, é necessário que os governos municipais recebam maior respaldo dos Estados e da União.


Prefeito apoia trem-bala e pede financiamento ao transporte público

Eduardo Paes foi questionado pelo empresariado sobre alguns temas ao longo do seminário. Um deles foi o que ele pensava a respeito da construção do trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, cuja obra e licitação ainda são cercadas de discussões e dúvidas, tanto por parte da iniciativa privada quanto da sociedade civil. O prefeito do Rio se mostrou a favor, indo de encontro com uma posição de que é preciso investir no transporte de massa.

— Sou trem bala total, sou zero Dutra, zero Carvalho Pinto. Acho que o Brasil só cuidou de estrada, só investiu nisso. Então precisa investir agora em transporte de massa, público e de qualidade. Não estou discutindo o modelo, se deve ser público ou privado, nem estou prestando a atenção, e acho até uma vergonha um País do tamanho do Brasil não investir em uma ligação entre essas duas grandes cidades. Tem que fazer mesmo.

Ele ainda criticou o modelo ainda vigente no País, segundo o qual o carro ainda recebe mais benefícios do que o transporte público.

— Não dá para você tirar Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) de automóvel e não tirar Cide de transporte público. Não dá para você subsidiar automóvel e não subsidiar o transporte público. Acho que esse movimento dos 20 centavos acabou colocando pra fora esse absurdo de subsidiarem uma coisa e não fazerem isso com a outra. É preciso subsidiar transporte público no Brasil.

Paes se esquiva sobre “excessos da PM” no Rio

A reportagem do R7 questionou o prefeito do Rio a respeito da conduta da Polícia Militar nos protestos que aconteceram nas últimas semanas na cidade. Na noite desta segunda-feira (19), um PM agrediu um cinegrafista da Rede Record e uma moradora de rua durante uma manifestação no Largo do Machado, zona sul da cidade. Eduardo Paes disse “não ter visto” os acontecimentos, já que estava em São Paulo.

Ele explicou que defende as manifestações nas quais “as pessoas vão para as ruas protestar contra alguma coisa”, mas repudiou aquelas em que grupos vão às ruas “fazer subversão da ordem, contestar o sistema, enfim, e quebrar tudo”, situação esta digna de caso de polícia, segundo Paes.

— A PM é uma instituição com muitos problemas, mas a gente não pode crucificar a PM por tudo. Você tem bons órgãos de imprensa, maus órgãos de imprensa, você tem bons e maus políticos, e bons PMs e maus PMs. Quem vai pra rua fazer violência deve ser tratado pela polícia.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.