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Empresa responsável por depósito incendiado vai pagar aluguel social para vizinhos em Duque de Caxias

De acordo com a Defesa Civil, 20 casas sofreram abalos estruturais; cinco foram interditadas

Rio de Janeiro|Do R7

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No incêndio, que começou na tarde de quinta-feira (23), um homem, de 43 anos, morreu após ter 90% do corpo queimado
No incêndio, que começou na tarde de quinta-feira (23), um homem, de 43 anos, morreu após ter 90% do corpo queimado

A empresa Petrogold, responsável pelo depósito de combustível que pegou fogo no bairro de Vila Maria Helena, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na última quinta-feira (23), informou nesta segunda-feira (27) que irá custear toda a despesa com a reforma das residências danificadas.

De acordo com a Defesa Civil, que encerrou na tarde desta segunda-feira as vistorias na região, 20 casas foram afetadas pelas chamas. Do total, cinco residências foram interditadas por estarem sem condições estruturais. 


Segundo o advogado da distribuidora de combustível, Fábio Calil, as famílias que ficaram desabrigadas receberão dinheiro para o aluguel de uma nova moradia.

— Nós pegamos o laudo da Defesa Civil e em cima disso estamos trabalhando para ajudar as famílias que foram prejudicadas. Nas casas que foram abaladas, a Petrogold vai arcar com as obras de restauração. Nas que foram interditadas, pagaremos aluguel para a moradia.


Com o incêndio, uma pessoa morreu e outras sete foram hospitalizadas sem gravidade. Gelson da Silva Corrêa, de 43 anos, teve 90% do corpo queimado e não resistiu aos ferimentos. Ele trabalhava no depósito na hora em que as chamas se alastraram. O sepultamento aconteceu no sábado (24), após entraves na liberação do corpo. 

Ainda de acordo com Calil, a família da vítima receberá todo o apoio necessário.


— A empresa arcou com as despesas do enterro e vai arcar com as que forem necessárias para a família.

Máfia dos combustíveis


De acordo com a Polícia Federal, o bairro de Vila Maria Helena, onde ocorreu o incêndio, é conhecido por hospedar uma máfia de adulteração de combustíveis. Até quintais de imóveis residenciais são usados como armazéns de gasolina. 

A distribuidora de derivados de petróleo Petrogold, foi lacrada em julho do ano passado pela Polícia Federal por operar sem licença do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e armazenar irregularmente combustíveis. Na ocasião, quando foram apreendidos 510 mil litros de combustível, o secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, disse que “o combustível estava sendo armazenado de qualquer forma, sem as devidas medidas de segurança”.

Nesta quinta-feira (24), a empresa informou que funcionava regularmente e que a operação em questão não resultou em sanção. Já o secretário do Meio Ambiente, Carlos Minc, informou que a empresa foi multada em R$ 210 mil.

A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou, por meio de nota, que o alvará de funcionamento emitido à Petrogold pela Prefeitura de Duque de Caxias, o certificado de vistoria do Corpo de Bombeiros e a licença de operação ambiental estão dentro do prazo de validade.

Segundo o secretário, entretanto, o Inea não havia concedido licença. Por esse motivo, na avaliação de Mic, a situação da empresa era irregular.

Em julho passado, Minc alertou para o risco de danos ao meio ambiente e informou que dois caminhões com 27 mil litros de álcool anidro (cada um) foram encontrados vazando o fluído no terreno, podendo contaminar o solo e o lençol freático.

A empresa foi autuada pelo crime de poluição e a responsável pelo local conduzida à delegacia para esclarecimentos. Outros dois galpões em Jardim Primavera (Caxias) também foram fechados.

A Polícia Federal informou que o inquérito apurou suspeita de crimes cometidos pela Petrogold de competência da esfera estadual. Por isso, pediu ao Ministério Público Federal que o caso fosse repassado à Polícia Civil. 

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