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Esquema de cambismo em que integrante do COI participava cobrava até 30 vezes mais por ingressos

Presidente do Comitê Olímpico da Irlanda foi preso na manhã desta quarta (17)

Rio de Janeiro|Do R7

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Preso foi levado para o Hospital Samaritano, na Barra, devido à idade avançada (71 anos) e histórico cardíaco
Preso foi levado para o Hospital Samaritano, na Barra, devido à idade avançada (71 anos) e histórico cardíaco

Depois de prender na manhã de hoje (17), no hotel Windsor, na Barra da Tijuca, o irlandês Patrick Joseph Hickey, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) e presidente do Comitê Olímpico da Irlanda, a Polícia Civil deu uma coletiva de imprensa onde explicou como funcionava o esquema ilegal de vendas de ingresso para os jogos olímpicos em que o Hickey participava. Ele é acusado de fazer parte de um esquema internacional de cambismo dos ingressos para os Jogos Olímpicos.

O delegado Aloysio Falcão, também responsável pelo caso, explicou que o esquema de cambismo era disfarçado de programa de hospitalidade, no qual os ingressos eram vendidos por valores até 30 vezes maior.


— Existe a indicação de empresas para realizar a venda dos ingressos em cada país, o Comitê Olímpico Irlandês indicou essa THG, que já tinha realizado a venda de Londres e de Socchi. Mas não foi aceita pelo COI. Então, foi constituída outra empresa, a Pro10, em abril de 2015, que foi indicada pelo comitê da Irlanda.

Outros três estrangeiros também tiveram a prisão preventiva decretada e são considerados foragidos: o britânico Michael Glynn e os irlandeses Ken Murray e Eamonn Collins.


Segundo o delegado Ricardo Barbosa, da Delegacia de Defraudações, o preso ainda não prestou depoimento, tendo sido encaminhado para o Hospital Samaritano, na Barra, devido à idade avançada (71 anos) e histórico cardíaco.

— O depoimento vai ser aqui [na Cidade da Polícia]. A polícia levou preventivamente um médico na operação, por ele ter problemas cardíacos anteriores. O preso falou que enfartou há seis meses, então, pelo susto que tomou hoje e pela idade avançada, o médico resolveu fazer alguns exames.


Em 2014, o CEO da THG, James Sinton, foi preso pela Polícia Civil por envolvimento na “máfia dos ingressos” da Copa do Mundo. Também nessa operação, foram presos em flagrante, no dia 5 de agosto Kevin Mallon, diretor da empresa THG, e Bárbara Carnieri, quando foram apreendidos 823 ingressos.

— Todos os ingressos eram destinados a THG do grupo Marcus Evans para esse suposto programa de hospitalidade. São ingressos para eventos muito procurados, como cerimônia de abertura, de encerramento, final do futebol, que tem um valor agregado muito grande. Os ingressos vieram da Pro10, criada para pegar os ingressos para a THG e alguns, cerca de 20, são nominais para o Comitê Olímpico da Irlanda.


Segundo Falcão, a prática ocorre “há anos” e testemunhas brasileiras apresentaram o contrato com os valores cobrados pelo programa de hospitalidade.

— O Comitê da Irlanda teve vantagem financeira, os ingressos eram vendidos a preços astronômicos, tem ingresso de R$1.500 revendido a 8 mil dólares. Só o valor de face dos ingressos apreendidos dava R$600 mil, mas eram revendidos a valores até 30 vezes maiores, então estimamos em mais de R$10 milhões o valor total arrecadado no esquema.

Na semana passada, foram decretadas as prisões de quatro diretores da empresa THG que não estão no Brasil: David Patrick Gilmore, Marcus Paul Bruce Evans, Maarten Van Os e Martin Studd. A Polícia Federal e a Interpol já foram comunicadas. Os presos e procurados foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, incentivar a prática de cambismo e marketing de emboscada, crime em vigor na Olimpíada.

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