Estupro coletivo: 8 suspeitos são menores de idade e polícia investiga se pode haver mais envolvidos
De acordo com a delegada Débora Rodrigues, apenas 2 estão apreendidos
Rio de Janeiro|Do R7

A Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher) de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, identificou até esta quarta-feira (26) oito suspeitos de terem participado do estupro coletivo de uma mulher de 34 anos no dia 17 deste mês. Todos eles são menores de idade — dois deles já estão apreendidos.
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A polícia ainda faz diligências para identificar se há outros participantes envolvidos no crime. Dos oito identificados, seis foram ouvidos. De acordo com a delegada Débora Rodrigues, ainda não há pedido de apreensão porque o caso ainda não está totalmente esclarecido.
Os dois suspeitos apreendidos foram levados no próprio dia do crime para a delegacia. A Polícia Civil e a Polícia Militar abriram procedimentos para investigar a conduta de seus agentes ao atenderem caso do estupro coletivo. A vítima foi conduzida à delegacia ao lado dos seus agressores e voltou a ser molestada no carro da PM.
Na delegacia, o agente escreveu termos vulgares ao registrar a ocorrência, como "só gritou quando empurraram um galho de árvore na sua bunda". Esse seria o quarto ataque sexual que a mulher sofreu.
A vendedora estava em um bar com um amigo, no bairro Lagoinha, quando quatro jovens ligados ao tráfico da região a arrastaram para o banheiro do bar. De lá, ela foi levada para uma rua deserta e com pouca iluminação, onde passou a ser estuprada pelo grupo. Um carro do 7º Batalhão da PM (São Gonçalo) passou pelo local, a encontrou nua e a socorreu.
Mais à frente, os policiais encontraram os adolescentes, que foram reconhecidos pela mulher. Eles foram detidos e sentaram na mesma viatura, ao lado da vítima. No caminho para a delegacia, um deles alisou sua perna e a ameaçou: "Fica tranquilinha, vai dar tudo certo".
A vendedora foi levada para a 74ª Delegacia de Polícia (Alcântara), que não tem Núcleo de Atendimento à Mulher nem seguiu o novo protocolo da Polícia Civil para atendimento de vítimas de violência sexual, que prevê "atendimento humanizado à vítima, proporcionando condições necessárias para que ela possa comunicar a violência sofrida".
No registro de ocorrência, o policial escreveu expressões como "boquete triplo", "fizeram anal e vaginal", "não usaram camisinha, no pelo", e ainda "que a declarante só gritou quando empurraram um galho de árvore na sua bunda".
"Não é fácil. Durante o depoimento, fiquei muito desconcertada. Tinha acabado de acontecer tudo aquilo comigo. Estava sentindo dor e ainda muito abalada. Depois, fui para casa e me senti muito abandonada", disse a vendedora, em entrevista ao jornal Extra. A delegada pediu que ela juntamente com sua família fosse submetida a programa de proteção à vítima e testemunha do governo estadual.














