Família de menina morta em escola no Rio participa de reunião na Alerj
Polícia Militar e criminosos estavam em confronto quando Maria Eduarda foi atingida por tiros
Rio de Janeiro|Agência Brasil

A família da garota Maria Eduarda Alves Ferreira, 13 anos, assassinada na última quinta-feira na escola onde estudava no Rio de Janeiro, teve um encontro esta tarde com a Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Segundo João Tancredo, advogado dos pais da estudante, a família não está satisfeita com a assistência que vem sendo oferecida pelas autoridades.
— Eles [a família] estão destroçados. Precisam de tratamento psicológico imediato e o governo tem que arcar com isso.
Ele reclama que foi colocado à disposição da família pelo governo um psicólogo no centro do Rio, sem dar condições de transporte.
— Na prática, não funciona. O psicólogo precisa estar próximo de casa.
A menina estava na aula de educação física quando foi alvejada por três tiros — dois na cabeça e um no tronco — durante um confronto entre policiais e traficantes. O advogado ressaltou que não importa de onde veio o tiro, no que diz respeito à ação indenizatória, uma vez que Maria Eduarda estava dentro da escola.
Só quer justiça
O tio da menina afirma que há um despreparo por parte da polícia nas ações em comunidades.
— Temos sempre que observar tudo, porque infelizmente acontece [tiro] do nada. Acho que deve haver um preparo melhor em todas as áreas do estado.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado Marcelo Freixo (Psol), informou que a comissão ofereceu apoio psicológico à família e vai garantir o direito que os parentes acompanhem as investigações que estão sendo feitas pela Polícia Civil.
— Há outras perguntas, além de que arma saiu a bala, que o poder público precisa responder. Temos muitos policiais morrendo e matando e mais uma família destroçada. Que ação policial é essa em uma porta de escola, em um momento que tem vários jovens dentro da escola?
Em frente à mesma escola, policiais militares atiraram em dois homens que estavam deitados no chão. A cena foi testemunhada em vídeo divulgado nas redes sociais e na imprensa mostra o momento em que os homens foram mortos. A Divisão de Homicídios e a Corregedoria da Polícia Militar investigam o caso.
Blindar muros
O prefeito Marcelo Crivella (PRB) informou nesta segunda-feira (3) que importou dos Estados Unidos uma argamassa especial para blindar os muros das escolas municipais em áreas consideradas de risco. Ele criticou operações da Polícia Militar próximo a escolas no horário escolar.
— Isso nos preocupa muito. Temos 20 escolas que estão paradas. Ninguém pode governar uma cidade nessas condições, sem segurança. É importante discutir isso com a sociedade, polícia, Força Nacional de Segurança, pois não podemos ter mais crianças baleadas dentro de escola.
Crivella tem reunião marcada nesta quarta-feira (5) com representantes da área de segurança estaduais e federais.
— Convidamos a todos. A execução da segurança não é do prefeito, mas do governo do estado, porém quero conversar sobre um projeto, pois o Rio de Janeiro não pode continuar do jeito que está.















